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Segunda-feira, Junho 16, 2003
GALOPE CERTEIRO DA ABELHA ERRANTE
(Luiz Alberto Benevides, 14/6/2003)
Para Deh, que felizmente agora já se sente melhor, e para todos os casais que discutem (ê pleonasmo).
A abelha é um inseto que cruza distâncias,
Aerodinâmica de se invejar
Mesmo quando o tempo deixa a desejar,
Ainda que o ânimo perca a sustância.
Enquanto a rainha se empapa em ganância
De pau de zangão e geléia real
Há uma operária intelectual
Que rala as asas, que embala as idéias
Sondando de longe e de perto as colméias
Que abriguem mais farta reserva de mel.
Zanzando e zumbindo num só ziguezague
Transita a abelha operária mental
Em festa junina, ano-novo ou natal
De forma que o fel opressor não a esmague.
Tal fel pode ser uma chuva que alague
Os favos e galhos do seu habitat
Molhando as asas, fazendo-as pesar,
Talvez esse fel seja até um zumbido
Pior calculado de um ente querido
Por mais que ele tenha reserva de mel.
Melada de choro e suor do trabalho,
A doce abelhinha só pensa em descanso,
Lutando e torcendo por tempo mais manso
Em que uma colméia não penda do galho.
De noite, voltando por outro atalho,
Não cabe em si quando avista um tronco
Com nova colméia, mas logo ouve um ronco
Que pára assim que ela plana pertinho:
É o ente querido, com dois mil olhinhos
Repletos da mesma reserva de mel.
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Terça-feira, Junho 03, 2003
Essa abaixo foi pra Paula, que ontem completou 29 felizes outonos (my favorite season).
PROVA DOS NOVE MAIS VINTE
(Luiz Alberto Benevides, 2/6/2003)
Eis a prova dos nove mais vinte
Pela qual passam os sobreviventes
De partos, febres e quedas de dentes
Os que outro dia mostravam nos dedos
A idade pouca, idade do medo.
Cai na prova dos nove mais vinte
Pela qual passam ex-adolescentes
Questões, matérias, balanços pendentes
Dos que ostentavam bonés e pingentes
Da idade louca, idade do mito.
Fazem a prova dos nove mais vinte
Pela qual passam os que batem de frente
Com a vida adulta, madura, indecente
Os que aprenderam a ganhar no grito
Na idade tosca, idade da pedra.
Passam na prova dos nove mais vinte
Santos, decentes, os vis, os doentes
Mas sobretudo os que eu destaco à frente:
Jovens, vivazes, audazes, tão gente
Da minha idade, idade do ego.
Esses passam com louvor
E ai de quem tiver pudor
Porque a idade eu revelo
De quem me chamar de velho.
(o engraçado é que quando eu tava terminando a segunda estrofe, notei que ela tava mais metricamente coerente com a primeira do que eu planejava que fosse ficar... e aí encarei como um compromisso manter a média nas próximas duas estrofes (inicialmente ia fazer só uma). Mas o que poderia funcionar como uma prisão acabou me divertindo muito. :) )
Zanzou por aqui Luiz com Z às 10:38 PM Clique aqui pra zumbir ou zurzir.
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