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{Domingo, Setembro 28, 2003}


LADO Z - ÂNGULO APELATIVO

Espero que o visitante desavisado me perdoe pelo que vem a seguir. Mas a culpa é 1) dessa maldita alergia que não me deixa deitar o cabeção sem bloquear totalmente minhas vias nasais, 2) dessa medonha falta de inspiração, 3) da ridícula vontade de preencher espaço sem ter com o quê... :)

(pronto, agora já não pode mais se dizer desavisado)

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MEU PRIMEIRO POEMA
(Luiz Alberto Benevides, 1980)

Do que vale uma flor
Ela sempre tem cor
O que acha, Sônia?
De sua velha begônia?

_________________________________________

(Sonia, na verdade sem acento, é a mais velha das minhas tias por parte de mãe, ainda mora com a gente e, como pesquisadora nata, foi quem datou e guardou o papel quando eu tinha cinco anos)

Zanzou por aqui Luiz com Z às 4:36 AM
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{Quarta-feira, Setembro 24, 2003}


SMOKE RING
(Luiz Alberto Benevides, 9-24-2003)

You just don't expect breaking a heart
You've always respected and can't tear apart
After it's done, after it's said
You can't see how to get it off your head
What should I do when I can't do a thing?
Just let it phase out like a fading smoke ring
Which won't disappear, will kind of stay there
While you wish it's gone
'cause you know
That you so
You just so
You SO care.

Zanzou por aqui Luiz com Z às 8:58 AM
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{Segunda-feira, Setembro 22, 2003}


CHORO SECO
(Luiz Alberto Benevides, 22/9/2003)

Se eu conseguisse nanar
Se desse pra eu sonhar
Se eu pudesse descansar
Talvez conseguisse rimar
Algo mais que a repetição
Da primeira conjugação.

Enquanto isso
É choro seco.

Zanzou por aqui Luiz com Z às 8:25 AM
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WISH
(Luiz Alberto Benevides, 9-21-2003)

I only wish her well
I don't care 'bout my sake
As long as she feels fine
I'm good when I'm awake
And fine when I'm in bed
Even without her head
To rest upon with mine
Where I can rest my mind.

And I wish for her smell
Her smell
Her smell
Her smell...

Zanzou por aqui Luiz com Z às 3:09 AM
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{Domingo, Setembro 21, 2003}


Acabei de digitar mas não sei por que tenho a impressão fortíssima de já ter escrito esse poema antes. Bem, Freud complica e eu não implico. :)



SPRING'S DÉJÀ VU
(Luiz Alberto Benevides, 9-21-2003)


The one who lies down
With her respective one now
With her skin as nightgown
Is that one whose bliss
I hope for so badly
Though I sorely miss
Her copper so madly
I'm sending the warning
Someday in a morning
No one there to see it
But fate will say 'be it'
A fly will have spotted
The both of us knotted
Tightly together
A couple of creepers
And still tender sleepers
As soft leaves of heather.

Zanzou por aqui Luiz com Z às 2:30 PM
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{Domingo, Setembro 14, 2003}


PAM PÃRÃRÃM PÃRÃRÃM PAM PAM
(Luiz Alberto Benevides, abril de 1993,
com um leve retoque em outubro de 2001)


Para o milagre que é o
improviso criativo brasileiro.



Vou pra cozinha
Fazer café.
Batuco no bule
E bato o pé.
Ouço um som, não sei o que é.
É meu vizinho batendo a colher,
Batendo e vibrando outro metal.
Acho o pléim-pléim sensacional,
E sem parar de batucar,
Pego o fogão e começo a porrar.
Ouço então um insistente eco,
Outro vizinho, quebrando sinteco.
Enquanto ele muda os tacos do chão,
Eu uso as batidas pra fazer refrão.
Tá um trio, tá na harmonia,
Vem um barulho de panela vazia:
É a esposa do Seu Ernesto,
Deve ter pensado que era um protesto.
Pra aproveitar aquela cadência,
Eu pego a caçarola e murro sem clemência.
Somos um quarteto de autodidatas,
Somos a saída para as tardes chatas.
Somos um quarteto de autodidatas,
Somos a saída para as tardes chatas.
Vamos formando um grande comício
Pra reorganizar o nosso edifício.
Vou atender a campainha,
Não abro a porta, só abro a portinha.
Não vejo ninguém, pra surpresa minha.
Deve ser alguma criatura baixinha.
Abro tudo e tá lá, no bojo.
A síndica! Meu Deus, essa mulher é um nojo!
Começa a reclamar com aquela voz fininha,
E com o compasso todo fora de linha.
Dou um empurrão na senil senhora,
E ela sai rolando pela escada afora.
Quero sintonia, quero marcação,
Como todos nessa esquina desse quarteirão!
Somos centenas dentro deste prédio,
Unidos no batuque pra acabar com o tédio.
Somos centenas neste mesmo prédio,
Unidos no batuque pra acabar com o tédio.
Pam pãrãram pãrãram pam pam!
Panguidãrãram quipãrãram pam pam!
Pam pãrãram pãrãram pam pam!
Panguidãrãram quipãrãram pam pam...

Zanzou por aqui Luiz com Z às 2:18 AM
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{Terça-feira, Setembro 09, 2003}


LADO Z - ÂNGULO LAVOISIER

Nem sei como consegui esse tempinho pra postar. Enfim, por falar nisso, esse abaixo já tem um tempinho (nossa, essa foi bem mais que horrível).

De qualquer forma, aí vão minhas considerações sobre a poética visão de uma singela mosquinha de banheiro safra 2001 que um dia pousou na louça da privada lá de casa.
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DOSÓFILA
(Luiz Alberto Benevides, 2001)

A Drosophila
Filosofa
Contempla o tempo
Às margens plácidas
Da lagoa da privada
Ela não quer, não pede, não faz nada
Que dê motivo pra ser importunada.

A Drosophila
Passiva
Nem passeia
Por aí
Ela só quer um pouso certo
Nessa pousada de louça
Fica pousada, a moça
Bestando feito mosca
Na paisagem tosca
De uma lagoa fosca
Só pensa em entornar
Mais um golinho
De xixi.

Nem se assusta comigo
E meu jato traiçoeiro
Qual líquido morteiro
Quase que ela morre
Mas logo logo corre
E volta para um porre.

Logo vem um enxame
E a mosca urinólatra
É salva do vexame
E logo conduzida
Por vários companheiros
Insetos do banheiro
E de calça na mão
Eu observo atônito
Mais uma reunião
Dos Drosophilos Anônimos.

Zanzou por aqui Luiz com Z às 1:10 AM
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{Quarta-feira, Setembro 03, 2003}



VERMELHO BALUARTE
(hai-kai astronômico)
Luiz Alberto Benevides, 2/9/2003)

A nuvem cobre Marte
Não deixa uma parte
Pra vermos e eu amar-te.


Zanzou por aqui Luiz com Z às 2:04 AM
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