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Quarta-feira, Janeiro 28, 2004
LADO Z - ÂNGULO ALHEIO
Eu não podia ir dormir hoje sem postar essa obra-prima do Alphaville. Confesso que é a primeira vez que li a letra inteira. Preciso traduzir pra mostrar a todos os lusófonos o gênio da coisa.
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FOREVER YOUNG
Alphaville
Vamos começar com estilo, vamos dançar um pouco.
O paraíso pode esperar, a gente só tá olhando o céu.
Torcendo pelo o melhor, mas esperando o pior:
Vocês vão jogar a bomba ou não?
Que a gente morra jovem ou então viva pra sempre.
Não temos o poder, mas nunca dizemos nunca.
Sentado na caixa de areia, a vida é uma viagem curta,
A música é pro homem triste.
Já pensou quando ganharem essa corrida?
Virar nossas caras douradas para o sol,
Aplaudindo nossos líderes, estamos entrando em sintonia,
Quem toca a música é o louco.
Jovem pra sempre,
Eu quero ser jovem pra sempre.
Será que você quer mesmo viver pra sempre,
Todo o sempre?
Tem gente que é como água, tem gente que é como o calor,
Alguns são melodia e outros ritmo.
Mais cedo ou mais tarde todos eles vão sumir,
Por que não continuam jovens?
É tão difícil envelhecer sem causa,
Não quero perecer que nem um cavalo agonizando.
A juventude é como os diamantes no céu
E os diamantes são eternos.
Tantas aventuras não puderam acontecer hoje,
Tantas músicas a gente esqueceu de tocar,
Tantos sonhos surgindo do nada,
A gente vai realizá-los.
Jovem pra sempre,
Eu quero ser jovem pra sempre.
Será que você quer mesmo viver pra sempre,
Todo o sempre?
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Agora eu pergunto: como uma música feita num contexto histórico específico, em plena Guerra Fria (na sua fase final e ainda assim uma das mais graves), pode se tornar atemporal? O medo da bomba nuclear pode ser substituído por qualquer medo. Desculpe se a letra mexer com algum de vocês, mas eu tinha que compartilhar isso. Dá um aperto angustiante e ao mesmo tempo uma certeza de que, se a gente se convencer, pode acreditar que tem muito tempo pela frente, toda uma eternidade. Se eu que não sou religioso senti isso, imagina quem é... :)
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Domingo, Janeiro 25, 2004
LADO Z - ÂNGULO P A N O R Â M I C O
Alguém me diz que o formato panorâmico ou anamórfico de tela tromba com o campo visual natural dos seres humanos. Realmente, Juliana, em primeiro de outubro de 1953, num daqueles buracos desérticos que os americanos adoram, atendendo pelo nome de Utah, foi só chegar a novidade na telona que um jornalista escreveu:
"...uma tela tão grande que o espectador tem que virar a cabeça pra ver de ponta a ponta..."
Mesmo assim, o sujeito elogiou o formato. O fato é que desde então já criaram uma porrada de formatos pra atender os mais diferentes aspectos de apresentação cinematográfica.
Lançado comercialmente sob a famosa marca Cinerama, a tela compridona que atualmente chamamos de widescreen estreou em 1952. Mas o processo era rudimentar a ponto de terem se usar TRÊS câmeras cada uma filmando um pedaço da imagem, pra em seguida se montar um ao lado do outro.
No ano seguinte, com o filme "O Manto Sagrado" (The Robe), a Fox lançou o Cinemascope, que automatizou o processo de captação de imagens no comprido e foi pai de todos os outros.
O que eu não entendo é por que esperaram meio século, até a virada do milênio, pra finalmente começarem, a passos lentos, a banalização do formato em ambiente doméstico. Atualmente o que se vê nas casas da classe média é o DVD acoplado a uma TV convencional, deixando aquelas tarjas pretas em cima e embaixo. Por que cinco décadas de televisão perdendo cerca de metade da imagem do filme ou criando o efeito marco-maciel? Não concebo justificativa pra isso.
Quanto ao campo visual, Ju, sei não. Concordo racionalmente com você que o Cinemascope valoriza muito a visão periférica. Mas sacumé: mesmo antes de inventarem siglas como DVD e ONG, sempre fui a favor de valorizar a periferia. :)
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Terça-feira, Janeiro 20, 2004
LAMA N'ALMA
(Luiz Alberto Benevides, 20/1/2004)
Machucar o que ama
Com seu objetivo,
Esbarrar no sujeito
Como objeto vivo,
Embotar o afeto
Após tanto incentivo,
Prender raiva no peito
Da própria alma escrota
E deitar só no leito
Que mal parece cama
Sentir em si o efeito
Do sangue virar lama
Sem respirar direito
Dormindo a conta-gotas.
Pra querer mudar
Ver que tem que mudar
Começar a mudar
Pela primeira vez
Vendo enfim o que ouviu
Pela enésima vez.
Só fazer o bem
Olhando a quem
Quem se quer bem.
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Segunda-feira, Janeiro 19, 2004
LADO Z - ÂNGULO HAI-KAI
HAI-KAIS DE OCASIÃO
(Luiz Alberto Benevides, 18/1/2004)
PERSUASÃO FEMININA
No meu não, no seu
Na luz, não no breu
OK, você venceu.
HAI-KAI PORTUGUÊS
D'sabrocha a flore
E eu, embev'cido,
Provo seu sabore.
SINGOULART
Gengiva singular
Sorriso angular
Tiete da Beth Goulart.
O PRAZER É MEU
Prazer em conhecer
Prazer em desvendar
Prazer de entrar e te amar.
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Domingo, Janeiro 18, 2004
Ablulululululu... póim!
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Terça-feira, Janeiro 13, 2004
LADO Z - ÂNGULO MÍRQUICO
[23:40:57] * Luiz_com_Z ouvindo coincidentemente uma das mais belas músicas de amor já compostas
[23:41:03] La Valse d'Amélie
[23:41:08] (Amélie Poulain)
(...)
[23:46:24] * Luiz_com_Z en train d'écouter "A Quai" (Yann Tiersen, bande sonore d'Amélie Poulain)
[23:49:11] * Luiz_com_Z não consegue parar de se mexer
[23:58:38] * Luiz_com_Z feliz
[23:58:50] * Luiz_com_Z sensível a música
[23:59:35] * Luiz_com_Z quando ouve Yann Tiersen acredita que todo o mundo vai se desfazer num mingau de felicidade eterna
[23:59:56] * Luiz_com_Z não precisa de religião, a música já o leva ao transcendental
Zanzou por aqui Luiz com Z às 12:49 AM Clique aqui pra zumbir ou zurzir.
Segunda-feira, Janeiro 05, 2004
LADO Z - ÂNGULO ANIVERSARIANTE
(o brogue, não eu)
Os Benevides, graças aos Almeida Rego, há décadas cantam assim:
"Parabéns pra você
Nessa data querida
Muitas felicidades
Muitos anos de vida
Parabéns pra você
Nessa data querida
Alegrias profundas
E palmadas na bunda
Paarabéns pra você, parabéns
Muuitas felicidaaades
Muuitos anos de vida também
E sempre a nossa amizade!"
Mas hoje eu prefiro é recitar (pra variar :P):
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PARABÉNS PRA VOZÊ
(Luiz Alberto Benevides, 4 pra 5/1/2003)
Ano novo junto com aniversário
Isso é coisa de bode pós-sagitário
Eu aqui, como taurino desgarrado
Nunca tinha a experiência desfrutado
Graças à persuasão e ao know-how
Da menina-lua e da mentecapta
Logo vi a minha humilde tela apta
A compor, bolar, trovar a dar com pau
Pra eu que pensei, em crasso e ledo engano
Que jamais teria um blog, faz um ano
Que versejo nesta tela verde-hulk
Não sei quais meus planos pra 2004
Mas pra década seria um barato
Aprender noções de trânsito e batuque.
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Ju, sim, beijo seus pés por ter domado este xucro template. Meus comentadores, minhas comentadoras, amigos e amigas e passantes e transeuntas, e os guardas, e os vendedores, as senhoras e os senhores... fossem somente crianças... muito obrigado por me aturarem até aqui. UM ANO DE LADO Z. E que cheguemos sãos e salvos até o fim de 2004. O importante é que a nossa emoção sobreviva. E o Sílvio Luiz também. O máximo possível. Bendito seja. :)
Zanzou por aqui Luiz com Z às 2:27 AM Clique aqui pra zumbir ou zurzir.
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