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{Sábado, Abril 17, 2004}


LADO Z - ÂNGULO COMPARATIVO

Hoje tô ouvindo sem parar o Yann Tiersen. Pra quem não ligar o nome à pessoa (se é que aquilo é uma pessoa, mais parece um extraterrestre de planeta superior), é o sujeito que ganhou fama mundial pela trilha sonora de "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain".

E de repente, não mais de que repente, me toco do paralelo dele com outro monstro musical: Antônio Nóbrega. Tirando o fato de um ser francês (Brest, Bretanha, 23/6/1970) e o outro brasileiro (Recife, Pernambuco, 2/5/1952), os dois tem tanta coisa em comum que só mesmo listando os itens pra ficar legível e inteligível:


- Ambos começaram a estudar música clássica ainda crianças.

- Yann estudou violão e piano dos 6 aos 14 anos e no fim da adolescência começou a estudar direção de orquestra; Tonheta estudou violino desde pichototinho (como dizem no Nordeste) e no fim da adolescência começou a bizuiá os arranjos do mestre Ariano Suassuna, líder do Quinteto Armorial.

- Os dois criaram suas identidades musicais rodando as cidades das suas regiões natais, pesquisando os sons, melodias, ritmos e instrumentos nativos mais comuns e mais esquecidos (é verdade que o pobre Tonheta teve um trabalhinho maior, visto que dentro do Nordeste cabem algumas dezenas de Bretanhas :D)

- Nenhum dos dois se acomodou no rótulo de "intelectual" ou "pesquisador musical". Sempre foram orgânicos, práticos, criadores e criativos.

- Cada um toca seguramente mais de vinte instrumentos.

- Mesmo que você não goste do som de algum deles (e se for o caso, infeliz da sua alma :D), fica um tanto impossível não reconhecê-los como gênios.


De qualquer forma, vale citar as diferenças: Tonheta não só toca e compõe, como canta e escreve letra, além de música; Tonheta começou sua vida profissional de músico no ano em que o francês saiu do útero; Tonheta aos 34 anos de carreira ainda não tem nem uma música própria ou gravada com divulgação maciça no Brasil ou no exterior; Yann aos 31 anos de idade começou a ganhar direitos autorais de todos os recantos do mundo pela trilha sonora de "Amélie Poulain" (isso pra não falar de "Goodbye, Lenin", cuja trilha também é magistral e não tá vendendo pouco na Europa...).

Vocês eu não sei, mas pra mim a comparação da carreira de Yann Tiersen e Antônio Nóbrega me lembra o Alceu Valença cantando "A Foca" no primeiro disco da "Arca de Noé". A foca francesa cheia de plumas e a brasileira caindo de fome por não ter sardinha...

Zanzou por aqui Luiz com Z às 4:31 PM
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{Domingo, Abril 04, 2004}


UM ABRAÇO
(Quasímodo)


Um abraço é tanta coisa
Que só cabe dentro mesmo de um abraço.

Despedida de alguém querido,
O aparecimento de um amigo sumido,
Sempre termina num abraço.

Um abraço tem que ser bem dado
E se não for sincero, um abraço.

Um casal num filme antigo,
O centroavante que faz gol de bico,
Tem que correr pro abraço.

Ou pro mala que não tem igual,
Prum emprego que paga mal,
Pruma cama de hospital...
LÁ-LÁ-LÁ, LÁ-LÁ, LÁ-LÁÁÁÁ...!
Um abraço.

Um abraço tem que ser bem dado
E se não for sincero, um abraço.

Um casal num filme antigo,
O centroavante que faz gol de bico,
Tem que correr pro abraço.

(ÂÂUM... DÂÂIS... TRÂÂIS...)

Um bebê no primeiro passo...
No cinema o primeiro amasso...
O clinche de um soco do Tyson...
O bêbado já no bagaço...
Quem não queeeeeeeee-eeeeeeeee-EEEEEEEEE-EEEEEEEEER...
Um abraço?

Abraço de lado, abraço de frente,
Abraço apertado, abraço que é quenteeee... hummm...
Abraço de mãe, sensação interna,
Ou de paixão, abraço de pernaaaa...
Abraço da Morte - um dia ela encosta -
Abraço por trás, abraço a--

(ah... abraço por trás?)

É só... pra quem gostaaaa... (ai!)

De um abraço!
(é de graaaaçaaa!)
Um abraço (o grito da massaaa!)
Um abraço (eu vou daaaar!)
Um abraço (já vou me mandaaaar!)
Um abraço!
Um abraço!
Um abraço!
Um abraço!
Um abraço!

...

Um abraço!

_______________________________________

www.quasimodo.com.br
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www.quasimodo.com.br
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:)

Zanzou por aqui Luiz com Z às 7:34 PM
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{Sexta-feira, Abril 02, 2004}


LADO Z - ÂNGULO SU-PORÉM-REAL

- Luiz, meu filho... vem cá.

- Olha, você tá aqui no trabalho desde nove horas da manhã. Ontem foi a mesma coisa. E hoje olha só. Sete e dez da noite, Luiz. Você é pago pra cumprir duas horas extras. Quanto você tirou de almoço hoje? Quinze minutos? A jornada de oito horas tem intervalo de uma hora, Luiz. Depois você sai daqui assim, com a mão tremendo.

- Luiz, você não conseguiu ouvir nada que eu disse agora, Luiz. Você tá totalmente zureta. Já notou que você tá zureta? Ninguém vai se importar com você não, se não for você mesmo. Faz o seguinte: tira meia hora de lanche, meu filho. Vai até o banco da praça, que é longe daqui, senta lá e fica descansando o pé. Você tem que descansar esses pés, puxa. Eu te garanto que ninguém lá dentro vai sentir a mínima falta se você ficar quinze minutos a mais.

- Não deixa os clientes te sugarem, Luiz. Se você ficar de uma às quatro da tarde, eles vão te sugar de uma às quatro. Se ficar de nove às sete, eles vão te sugar de nove às sete. E ainda vão achar que você tá na sua obrigação. Porque eles acham que funcionário do Banco do Brasil ganha bem, Luiz. E eu respondo: sim. Os antigos. E mesmo esses não tem aumento há nove anos.

- Senão, daqui a uns anos você vai ficar que nem eu aqui, babaca, que há dois dias não almoça. Sabe como tava a minha garganta? Eu cheguei mais tarde e o outro me soltou uma indireta. A outra tá com a mão engessada e não cumpre a licença-saúde dela. Se o Ministério do Trabalho bate aqui, vai ser uma multa federal! [o que me valeu o comentário: "Literalmente federal!"]

- Descansa, Luiz. Dá uma voada, que o que importa é a sua saúde. Você não é o responsável pela saúde ocupacional aqui? Então tem que dar exemplo.

- Mas ó, Luiz. Eu não te disse nada, viu? Se você disser que eu disse isso, eu nego até a morte.



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O monólogo acima foi ouvido e sentido atentamente por mim. Quem foi o autor do texto falado acima?

a) Um colega de setor compadecido com os meus nervos à flor da pele.
b) Um funcionário mais antigo que já passou por isso e hoje em dia não se faz mais de idiota.
c) Meu amigo imaginário, que funciona tipo um Grilo Falante, e que eu alucino uma vez por semana, na falta de um analista.
d) Minha chefe.

Para saberem o gabarito, desçam a barra de rolagem...

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luiz_com_z@yahoo.com.br

Ninguém do meu trabalho lê o blog, mas eu prefiro preservar a identidade da figura... eniuei, todos os meus leitores são excelentes entendedores, de inteligentes a superdotados, e já devem ter notado. Algum de vocês trabalhadores já recebeu um conselho desses de uma pessoa nessa posição? Não acham surreal?


Zanzou por aqui Luiz com Z às 8:46 PM
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{Quinta-feira, Abril 01, 2004}


LADO Z - ÂNGULO "AUTO-AJUDA A MIM MESMO",
"FAÇA O QUE O CHAPLIN DIZ MAS NÃO FAÇA O QUE EU FAÇO"
OU "SMILE, GODDAMMIT, SMILE!"


Music by Charlie Chaplin
Words by John Turner & Geoffrey Parsons

Smile though your heart is aching
Smile even though it's breaking
When there are clouds in the sky, you'll get by
If you smile through your fear and sorrow
Smile and maybe tomorrow
You'll see the sun come shining through for you

Light up your face with gladness
Hide every trace of sadness
Although a tear may be ever so near
That's the time you must keep on trying
Smile, what's the use of crying?
You'll find that life is still worthwhile
If you just smile

(instrumental interlude)

That's the time you must keep on trying
Smile, what's the use of crying?
You'll find that life is still worthwhile
If you just smile

-Artist: Nat King Cole
-peak Billboard position # 10 in 1954
-competing versions charted by Sunny Gale (#19) and David Whitfield (#25).
-also charted in 1959 by Tony Bennett (#73); in 1961 by Timi Yuro (#42); in
-1962 by Ferrante and Teicher (#94); and in 1965 by Betty Everett and Jerry
-Butler (#42).


http://www.sing365.com/music/lyric.nsf/Smile-lyrics-Nat-King-Cole/B81CFB9705E202CB48256AF1000B8039


Contra todos os golpes malditos, individuais ou coletivos, que a gente leva, acerta ou erra desde antes de 1964 até sempre.
Inclusive os meus pessoais... hard to smile today.

Zanzou por aqui Luiz com Z às 9:36 PM
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