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Sábado, Maio 29, 2004
LADO Z - ÂNGULO DA ANISTIA PROFISSIONAL
Não existe ninguém pior pra te definir do que você mesmo. É assim que acontece comigo, com você, com qualquer um. Aconteceu comigo no dia 19/5. O dia do exame psicotécnico da BR Distribuidora.
Nesse dia, eu tive que escolher entre escrever sobre "Quem Sou Eu?" ou "Minha Trajetória Profissional". O último tema, pra render no sentido ideal, eu teria que espremer bastante, coisa que já tinha feito no currículo. Quanto ao primeiro, bem... de todos os meus defeitos, a teimosia é o mais louvável. E foi ela que me trouxe aqui, ainda que de forma realista, àquele que mais se aproxima do emprego dos meus sonhos.
O fato é que dentro de algumas semanas o BB deixa de me ter como funcionário pra me ver entrar mais fundo na carteira de clientes. E o fundo da minha carteira vai ficar um pouco mais distante. E se esse que vocês lêem abaixo não sou eu, garanto que é tudo que eu gostaria de ser. E como funcionário, militante e defensor da Petrobrás, é tudo que eu vou ser, se depender de mim.
No mais, tigres, caubóis e inocentes conchinhas do petróleo: tremei. Estou entrando na fileira dos que aceitam a promiscuidade da gasolina adulterada com a mesma facilidade da mistura de água e óleo. Aqui no Brasil, não rola. Aqui no Brasil, não roda.
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QUEM SOU EU?
Prazer, Luiz. Luiz com Z. Cinco do cinco de setenta e cinco, às quinze e quarenta e cinco, na Praça Quinze. Presto atenção em números, principalmente quando estão por extenso, formando palavras. Presto muita atenção nas palavras, fazendo sempre o melhor para que elas surtam o melhor efeito na vida e nos resultados do trabalho, do cotidiano, da família, da minha cota de influência na sociedade.
Entro na vida dos outros quando vejo que a porta está suficientemente aberta, me dando boas-vindas, independentemente do "Welcome" no capacho. Abro minha porta e vou dando acesso aos cômodos conforme o seu e o meu objetivo vão se revelando, justificando nossa presença no mesmo lugar. Se houver abertura, toco algum dos meus discos raros dos Beatles para deixar meu colega de trabalho à vontade. Da mesma forma, posso mostrar meu portfólio para o amigo que vem me visitar.
Acredito no poder da persuasão verbal, da sedução, do diálogo transformador, da solução pacífica da maior parte dos conflitos humanos. Nada que me impeça de conhecer as leis da física e me resguardar de possíveis machucados. Escrevo poesia; desenho de vez em quando; vendo minha força de trabalho e negocio seu uso conforme for melhor para ambas as partes. Não tenho dificuldade em ceder e sou conhecido pela minha facilidade em dizer sim para novos métodos e desafios.
Se uso um chavão ou outro, acabo surpreendendo quando desequilibro a frase no final. E quando não posso mais ultrapassar meus limites, percebo a hora de parar.
Toc-toc, posso entrar?
Luiz Alberto Benevides
19/5/2004
(íntegra da redação pro exame psicotécnico da minha redenção profissional como publicitário -
processo seletivo da BR Distribuidora)
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Terça-feira, Maio 04, 2004
OS TAURINOS PÉS-DE-BOI
Karl Marx e Marechal Rondon. O mínimo do mínimo que se pode dizer, pela contribuição que deram a tantas vidas no mundo e no Brasil, respectivamente, é que são dois grandes taurinos pés-de-boi - sendo "pé-de-boi" aquele sujeito que não descansa até terminar seu trabalho e ver o produto do seu esforço realizado ou pelo menos encaminhado.
Pra provar que não mereço companheiros tão batalhadores como co-aniversariantes de cinco do cinco, a primeira coisa que vou fazer na despedida dos meus 28 é dar uma de preguiçoso. Como se a idade avançada justificasse (e se não ela, certamente a lenha que corto no meu emprego justifica qualquer preguiça com louvor e folga).
Enfim, começo em grande estilo de reciclagem, republicando uma das inspirações mais divertidas que já me deu a minha amiga Paula, de BH, quando ela passou pela prova dos nove... mais vinte.
PROVA DOS NOVE MAIS VINTE
(Luiz Alberto Benevides, 2/6/2003)
Eis a prova dos nove mais vinte
Pela qual passam os sobreviventes
De partos, febres e quedas de dentes
Os que outro dia mostravam nos dedos
A idade pouca, idade do medo.
Cai na prova dos nove mais vinte
Pela qual passam ex-adolescentes
Questões, matérias, balanços pendentes
Dos que ostentavam bonés e pingentes
Da idade louca, idade do mito.
Fazem a prova dos nove mais vinte
Pela qual passam os que batem de frente
Com a vida adulta, madura, indecente
Os que aprenderam a ganhar no grito
Na idade tosca, idade da pedra.
Passam na prova dos nove mais vinte
Santos, decentes, os vis, os doentes
Mas sobretudo os que eu destaco à frente:
Jovens, vivazes, audazes, tão gente
Da minha idade, idade do ego.
Esses passam com louvor
E ai de quem tiver pudor
Porque a idade eu revelo
De quem me chamar de velho.
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E quem diria, pessoal! Na pesquisa pro post anterior, acabei descobrindo outro taurino nobilíssimo. O maestríssimo Antônio Nóbrega, do cabalístico, musical e simétrico 2/5/52 (tenho uma tia de 5/2/52) completou coerentes 52 outonos! Até rima numérica esse sujeito faz com uma mão nas costas. :) A bença, cabra bom!
Zanzou por aqui Luiz com Z às 11:44 PM Clique aqui pra zumbir ou zurzir.
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