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Sexta-feira, Julho 23, 2004
CARPE TRAMPUM
(Luiz Alberto Benevides, 23/7/2004)
Sempre sonhei
Em postar do trabalho
Desde o tempo em que
Me metiam o malho
No horário comercial
Mas agora a estatal
É mais branda e macia
Celebramos casamento
Há exatos nove dias
Quero ficar com ela
Pelo resto dessa vida
Infeliz no amor e jogo
Tão feliz na lenta lida.
Não sei bem do amanhã,
Só quero saber da manhã.
E antes que me aviem,
Vivo e gozo o carpe-diem.
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Nada não. Só pelo prazer de postar do trabalho.
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E ainda cheio de vasos com arruda em cima dos vários computadores, ou seja, "protegido" pela superstição alheia. :D
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Segunda-feira, Julho 12, 2004
DISTENSÃO PROFISSIONAL
(Luiz Alberto Benevides, 12/7/2004)
Senhores e damas, é o fim do desterro
Na distensão lenta e gradual de um mês
O exílio bancário eu cobri com um aterro
Na manhã junina seguinte ao 6
Em que o pé esquerdo cobriu-se em luto
Das escadas que não subiria mais
Em distensão literal até demais
Criando e estendendo um excesso de paz
Só pra me deixar ansioso e puto
Adiando o sonho de anos a fio
De ser repatriado sem sair do Rio.
Pois é, galerinha, entrei no exílio
Doméstico por exatas cinco semanas
No início tão chatas, depois tão bacanas
Com web e TV construí meu idílio
Que tanto esperei em priscas eras cansadas
E veio na forma de férias forçadas
Substituindo a posse frustrada
Advinda de adiarem a entrada
Na empresa da graça enfim alcançada.
Aí, macacada, escrevo este texto
Pra informar que tornarei-me bissexto
Em atividades virtuais and the like
Mas prosseguirei sendo Luiz com Z
Com a mesma cabeça e o mesmo chinelo
Que apesar de trazer o logo da Nike
É de camelô e eu só uso no lar
Pra manter minha posição de boicote
À marca da multi que é causa mortis
Da infância feliz na franjinha da Ásia.
O risco é que a ausência talvez ninguém note
Já que só entro aqui normalmente
Uma vez na vida e outra na morte
Mas deixem estar: terei algo em mente.
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Domingo, Julho 04, 2004
LIÇÃO DE PORTUGUÊS
Não suporto ver futebol. Até a adolescência eu tentava de vez em quando, mas na copa de 94 capitulei quando entendi o porquê. É angustiante demais porque é o esporte do quase. O chute QUASE acerta, a bola QUASE entra, o time QUASE ganha. E mesmo quando chega a ganhar, você QUASE não acredita e o alívio é QUASE maior que a angústia antes da vitória. Enfim, nada compensa o sufoco.
Sendo assim, nada mais coerente do que um brasileiro, cujo português é QUASE o mesmo que o de Portugal, acompanhar a final da Eurocopa em que o anfitrião inicialmente QUASE não acredita no triunfo da seleção, e ao chegar na final, QUASE chega em primeiro lugar.
P'rtanto, em dia de espinhos, pra não dizer que não falei das flores, aí vão as pétalas e pérolas da língua portuguesa na sua matriz.
Camiseta = Camisola
Créditos finais = Genérico final
Envolvência = Envolvimento
Escanteio = Pontapé de canto
Gol = Golo
Goleiro = Guarda-redes
Gramado = Relvado
Legendas móveis = Teletexto
Não há muito mais a dizer = Há pouco mais a dizer
Ônibus da seleção = Autocarro da selecção
Pênalti = Penalti (pronuncia-se "penálti".
Obs.: Cobrança de pênaltis = Cobrança de pontapés na marca da grande penalidade)
Pontapé inicial = Pontapé de saída
Quartas de final = Quartos-de-final
Semifinais = Meias-finais
Técnico Felipão = Seleccionador Scolari
Time = Equipa
Torcedor = Adepto
Torcer = Puxar (ex.: Puxar por Portugal)
Transmissão ao vivo = Emissão em directo
Moral da história:
Quem não faz, leva = Quem não marca, recebe
Ainda assim,
Saímos por cima = Saímos pela borda grande
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Sexta-feira, Julho 02, 2004
ÁCIDO, MAS SEMPRE BRANDO
Sobre o cachê de US$ 3,7 milhões que ganhou por 13 dias de filmagem em março de 1977, quando fez o papel de Jor-El, pai do Super-Homem:
"Eu estabeleci um preço no mercado. Fazem isso com os carros, fazem isso com os bambolês, fazem isso com supérfluos inúteis. Não acho que no caso dos atores exista qualquer diferença."
"Eu sempre fiquei impressionado com o sorriso que você recebe de manhã das equipes americanas. É muito, muito comum ele ser diretamente proporcional ao cachê que você tá ganhando. Quando te mostram dois dentes, são duzentos mil dólares... dez dentes por um milhão... e quando você tá chegando a dois milhões... (risos) é que nem aquele cemitério de caveiras de boi."
Minha homenagem ao artista número 8* da IMDb Marlon Brando e à sua fã número zero.
(*em ordem cronológica de inserção no banco de dados)
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