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{Sexta-feira, Dezembro 31, 2004}


FELIZ ANO CINCO!!!!


LADO Z - ÂNGULO REVEILLÔNICO OU ANONOVISTA


"ADEEUS, ANO VELHO,
FELIIZ ANO TORTO,
MUITO DINHEIRO NO CORPO,
SAÚDE PRA DAR E BEBER! TÃ; TÃ; TÃÃÃ..."

(Jefinho, amigo de infância, num dos primeiros dias de 1990)


"Luiz Alberto, registre aí pra posteridade: no dia 31 de dezembro de 2004, sua mãe jogou fora, sem ter sido usada, uma caixa de Aerolin fora da validade."

(minha mãe, que nem sabia que eu tava atualizando o blog; não vi nenhum motivo pra comemorar o desperdício, mas ela rapidamente me explicou que a felicidade se devia a ninguém da casa ter tido crise de asma durante a vigência do Aerolin - ou pelo menos durante parte dela, já que lembro de duas caixas terem convivido durante um tempinho)


* * * * *

Já tive duas idéias pra cavalos. Pra quem não sabe, hoje faz duas décadas que desenhei o Rinchão, meu primeiro personagem cavalo. Outro dia lembrei o motivo: é que em 31/12/84 (ou 83?), descobri que a minha avó todo ano, depois das 22h, de preferência depois das 23h, escrevia no mesmo papel "Rio de Janeiro, 31 de dezembro de ---- [ano em questão]", pra se despedir do ano que terminava. Naquele papel em questão, solto dentro de um dos livros católicos dela, a primeira data era 31 de dezembro de 1982. Ela se lamentava de ter perdido o rumo dos registros dos trinta-e-uns de dezembro, que não sabia onde tinham ido parar. Na hora aquilo calou fundo em mim, e eu tive que fazer um registro de fim de ano.

Deve ter sido em 84, porque foi a primeira vez que fiz um personagem no dia 31/12. Lembrei que tinha um compromisso de fazer o mesmo todo ano, mas não tô certo de que tivesse decidido na hora que seriam cavalos sempre. Enfim, acho que não tinha muito como fugir disso, porque seguia muito a tradição Disney de dar sobrinhos pros personagens. Por isso, em 31/12/85, criei o sobrinho do Rinchão, Rinchinho; em 86 veio a mãe do Rinchinho, a Rinchona; e por aí foi.

Tirando esses três, não lembro de ter usado mais de uma vez nenhum dos cavalos reveillônicos. Normalmente só aparecem uma vez e ficam no limbo. Mas alguns mais marcantes e fáceis de desenhar acabam reaparecendo de vez em quando (até no meio do ano), como os Rinchumarinhos, seis cavalos que nadam muito bem , criados no ano em que me mudei pra praia (31/12/97). Eles têm até um tema cantado pela Rita Lee, que é uma das estrofes de "Banho de Lua": "Dim-dim-dim / Rinchumarinho / Dim-dim-dim / Baixando vem ao mundo / Oh, rincho / Oh, cavalo-rincho / AAAAAHHHHH!!!" (ela grita de horror porque abre os olhos no momento em que um rinchumarinho bufa pelo nariz na cara dela).

Tinha também o Rinchohcnir, dupla de cavalos gêmeos xifópagos, ligados pela bunda, uma homenagem ao ano de 2002, que era uma capicua (palíndromo numérico, ou seja, escrevendo 2002 de trás pra frente, fica 2002 também)... bem, vamos ver quais potrinhos em minha mente se sustentam nos próprios pés ao serem paridos pela minha caneta. Inté!

Zanzou por aqui Luiz com Z às 12:28 PM
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{Quinta-feira, Dezembro 23, 2004}


LADO Z - ÂNGULO NATALINO


Faz 33 anos que o hino natalino "Happy Xmas (War Is Over)", composto e gravado por John Winston Lennon na época da Guerra do Vietnã, toca sem parar no natal, com razão e justiça. Mas por que não dar uma pequena variada... e incluir os votos de fim de ano de todos os Beatles? :)


CHRISTMAS TIME (IS HERE AGAIN)
From the Beatles' 1967 Xmas message)

[It's a bouncy remix, take 444!]

Christmas time is here again
Christmas time is here again
Christmas time is here again
Christmas time is here again

Ain't been round since you know when
Christmas time is here again
O-U-T spells "out"

Christmas time is here again
Christmas time is here again
Christmas time is here again
Christmas time is here again

Ain't been round since you know when
Christmas time is here again
O-U-T spells "out"

Christmas time is here again
Christmas time is here again
Christmas time is here again
Christmas time is here again

Ain't been round since you know when (Sucker!)
Christmas time...
(music continues and fades to background)

[This is Paul McCartney here,
I'd just like to wish you everything you wish yourself for Christmas.

This is John Lennon saying on behalf of the Beatles,
have a very Happy Christmas and a good New Year.

George Harrison speaking.
I'd like to take this opportunity to wish you a very Merry Christmas,
listeners everywhere.

This is Ringo Starr and I'd just like to say Merry Christmas and
a really Happy New Year to all listeners.]

(music fade-out, followed by John Lennon's pastiche)
[And Christmas time is all,
and your bonnie clay us through.
Happy breastling to you people
all out best from me to you.
When the beasty brangom button
to the heather and little inn.
And be strattened oot in matether
to yer arms once back again.
Och away, ye bonnie.]

________________________________

FELIZZZZZ NATAL!!!

Zanzou por aqui Luiz com Z às 11:49 AM
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{Sábado, Dezembro 18, 2004}


HAPPY NEW IONE
(Luiz Alberto Benevides, 17-18/12/2004
Dedicado a Ione Moraes, que acaba de aposentar seu blog "A Menina do Didentro")


Se os Beatles tivessem insistido
Só iam sair do auge.
Depois dum litígio sofrido
Melhor é sair no auge.

Ontem foi dia de fim
Mas tem algo em que, cá pra mim,
Eu penso e então me consolo:

O que terminou foi um meio
Que um didentro independente
Compôs sempre em carreira solo.

E, livre do velho ano feio,
Surge o réveillon, lá em frente,
De mais textos pra nos dar colo.

Zanzou por aqui Luiz com Z às 3:25 PM
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{Sexta-feira, Dezembro 17, 2004}


CARPE GENTEM

Eu nunca consegui lidar muito bem com a sensação de perda. Minha mãe foi notar e criticar tarde demais que tinha preparado pouco os seus três filhos pra frustração. Mas esse choque do melhor blog do mundo ter acabado de acabar, ainda que esteja no ar por mais algum tempo que não se sabe quanto, está servindo como um grande teste.

Eu sempre equivali (e danem-se os verbos defectivos) as obras às pessoas. Sempre vi, e ainda vejo em boa parte, os souvenirs como extensões inanimadas da minha vida e de todos que passaram por ela e me fizeram bem. É por isso que o meu quarto tá parecendo o depósito do G3 que, pra quem não trabalha na sede da BR, é o terceiro andar de garagem do prédio onde eu labuto. Cada vez mais coisa espalhada e muita tranqueira atravancando coisas preciosas - e, o mais alarmante, desde junho, graças a uma intervenção familiar inédita com toques de barbárie, escondendo coisas preciosas pra pessoas que são preciosas pra mim, ou seja, atingindo seres inocentes.

Chega. Sei que nunca vou conseguir me livrar do meu materialismo incorrigível e que ouvir a voz do John cantando "Woman" vai ser como se ele estivesse vivo, até porque nunca o conheci. Mas o mais reconfortante é poder saber que o blog da Ione não vai ser mais atualizado e um dia cairá no limbo, mas eu continuo podendo falar com a minha amiga e sentir que ela sobrevive. E eu tenho certeza que não vão demorar muitos meses até ela voltar a viver bem. Quem escreve do jeito dela, não só corretamente como belamente e criativamente e tantos mentes que tantas mentes jamais conseguirão abarcar numa só, não pode ficar se sentindo maizumeno por tanto tempo. Uma hora ou outra, a mesma serotonina* que eu libero quando leio e rio com aquelas troças, troços e tretas que ela conta com tanta competência vai voltar que nem bumerangue e atingi-la em cheio.

Assim como o papelzinho com o poema que eu rascunhei em homenagem a ela e desaparec... juro que acabei de encontrar enquanto escrevia a palavra "desapareceu"! Tava no bolso da minha camisa.

O que só vem provar que obras podem ser recuperadas, só as pessoas um dia não voltam. E enquanto eu ainda existo, deixa eu passar a limpo esse papelzinho pra deixar minha obra à mão pra posteridade.

Pena que eu ainda não tenha inteligência emocional suficiente pra jogar o rascunho fora...


*Substância responsável pela sensação de felicidade.

Zanzou por aqui Luiz com Z às 2:56 PM
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{Segunda-feira, Dezembro 13, 2004}


UM ELEFANTE NUNCA SE ESQUECE
(Luiz Alberto Benevides, 13/12/2004)

Um elefante nunca esquece que incomoda
Incomoda ao elefante o esquecimento
Mas incomoda bem mais ao paquiderme
Que esqueçam dele em qualquer momento
Posto que pra esquecer um elefante
É fundamental que ele esteja ausente
Devido à sua extensa epiderme
Que não deixa qualquer um indiferente
E se mesmo assim não virem seu semblante
Fica um clima realmente deprimente.

Quando penso no que sofre o elefante
Fico até feliz com meu sofrer de gente.

_________________________________________

É nisso que dá uma das melhores escritoras do mundo deixar a página dela esse tempo todo parada no olhar melancólico desse elefante aqui.

Zanzou por aqui Luiz com Z às 7:07 PM
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{Domingo, Dezembro 12, 2004}


DA SÉRIE "FRASES DE EFEITO QUE MERECEM UMA BRECHINHA DA SUA ATENÇÃO"

"The only true currency in this bankrupt world is what you share with someone else when you're uncool."
(A única moeda que vale nesse mundo falido é aquilo que você compartilha com outra pessoa quando você não é, digamos, uma grande atração social.)

Zanzou por aqui Luiz com Z às 2:58 AM
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{Sexta-feira, Dezembro 10, 2004}


DA SÉRIE "FRASES QUE SE VOCÊ NÃO OUVISSE PENSAVA QUE ERA SONHO"

- Fulana, você tá com a planilha do Papai Noel?

...

Zanzou por aqui Luiz com Z às 10:18 AM
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{Sábado, Dezembro 04, 2004}


MORTE E VIDA SEVERINA
Fala do Mestre Carpina

(João Cabral de Melo Neto)

"Seu José, mestre carpina,
Que diferença faria
Se em vez de continuar
Tomasse a melhor saída: a de saltar uma noite, fora da ponte da vida?
(..)

- Severino retirante,
Deixe agora que lhe diga: eu não sei bem a resposta da pergunta que fazia,
se não vale mais saltar fora da ponte e da vida; nem conheço esta resposta,
se quer mesmo que lhe diga;
É difícil defender,
Só com palavras, a vida,
Ainda mais quando ela é
Esta que se vê, severina;
Mas se responder não pude
A pergunta que fazia,
Ela, a vida, respondeu
Com a sua presença viva.

E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
Vê-la desfiar seu fio,
Que também se chama vida,
Ver a fábrica que ela mesma,
Teimosamente, se fabrica,
Vê-la brotar como há pouco
Em nova vida explodida;
Mesmo quando é assim pequena
A explosão, como a ocorrida;
Mesmo quando é uma explosão
Como a de pouco, franzina;
Mesmo quando é a explosão
de uma vida severina."


E o idiota que não chora
Já lacrimejando agora
Com essa maravilhosa
Quase peça de natal
Que faz voar pelos ares
Qualquer sensação depressiva,
Tristeza ativa ou passiva
Com os versos de João Cabral,
O som de Airton Barbosa
E a voz de Jofre Soares.

Zanzou por aqui Luiz com Z às 2:28 PM
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