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Terça-feira, Fevereiro 22, 2005
PREVISÃO DE PROVISÕES
(Luiz Alberto Benevides, 22/2/2005)
Com taxas nem sempre baixas
E aumentos nos emolumentos
Mais tarifa, o bolso pifa.
Terei problemas de caixa
Se não guardar meus proventos
Pra meu futuro sustento.
Menino, vê se toma tento
Senão vai viver de rifa.
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(EN)DURING SUNSET
(Luiz Alberto Benevides, 22/2/05)
A luz do sol doira lá fora
A luz do sol dura, essa hora,
Dourando a mesa na sala
Impondo a presença amarela
E ai de quem não quer saber dela
Porque, mesmo muda, ela fala
Berrando em facho natural
Sem querer saber se é estatal
Ou regime neoliberal
E quanto mais forte, mais fina
Que bom que abriram a cortina.
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Segunda-feira, Fevereiro 21, 2005
LADO Z, ÂNGULO EXPLORADOR RESPONSÁVEL
"Existe gente que considera bandido todo mundo que vive da exploração florestal! Eu acho que não! Acho que existe gente responsável vivendo da exploração florestal!"*
Minha primeira reação:
"RÁ RÁ RÁ RÁ RÁ RÁ RÁ!!!!!"
Meu primeiro pensamento:
"Como diz a Ju, 'Quanto mais eu rezo...' "
Minha segunda reação:
"Quem é esse cara? Governador do Pará?!"
Meu segundo pensamento:
"Que tal viver responsavelmente da exploração do corpo desse tipo de sujeito? Tudo bem que é velho, mas quantos indiozinhos não teriam algumas refeições garantidas se fizessem a reciclagem antropofágica dum bicho desse?"
*Simão Jatene, governador do Pará, há dez minutos, no "Roda Viva", da TV Cultura)
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Domingo, Fevereiro 20, 2005
COMENPOST
Eu ia continuar falando de carnaval, mas fui comentar um post que me atingiu direto n'alma, como diriam os p'rtugueses, e o curta acabou virando um longa, ou seja, o comentário evoluiu pra um post. A Juliane disse no blog dela que nos últimos 5 anos começou a se encasular e enclausurar no próprio quarto e se afastar de experiências ao ar livre que tinha tido antes, especialmente deixar de viajar. Meu caso é um tanto ou quanto mais radical, além de ter acontecido na ordem inversa: até os 13 anos eu só conhecia Rio e Niterói (e olhe lá, porque mal atravessava a poça), e de 1993 até 2003, tirando uma estada de trinta e poucas horas na capital paulista, eu também não saí desses dois municípios. E posso garantir que foi horrível. Se eu não morasse na Babilônia Maravilhosa, como disseram Evandro e Paulo Henrique, acho que teria pirado. O que no meu caso equivaleria a me tornar uma pessoa normal, talvez... :P
O fato é que o que ela sente nos últimos cinco anos eu senti desde o útero até os 22, 23, e só foi sumir de vez aos 25. Detestava sair. Preferia dias nublados porque me sentia mais seguro ("The Sheltering Sky", you know?). Nada como teto e paredes. Andar de metrô, então, era um dos maiores prazeres da minha vida. Mas ao mesmo tempo eu tinha uma consciência de que ficar parado e fechado no auge da minha saúde era algo de que eu ia me arrepender depois, quando quisesse "recuperar a juventude perdida".
Então eu ficava tentando me convencer de que "sair era bom". E passava horas ouvindo músicas que me estimulassem a sair de casa (alguém aí conhece "Dear Prudence", dos Beatles, e "In My Room", dos Beach Boys?), filmes que falavam de alguém que perdeu as boas experiências da vida porque era tímido demais e ficava vendo a vida passar. Só não ouvia "Carolina", do Chico, porque, diabos, sou espada. :D Mas lembro que na adolescência eu sonhava em conhecer uma garota nerd que adorasse ficar trancada em casa pra que pudéssemos, pelo menos, ficar trancados a dois. #)
E adiantou? Neca. Acabava ficando em casa ouvindo as músicas, começava a trocar os discos, e quando eu via, já era alta madrugada. :D Sempre que eu me forçava a sair, ficava mal, porque não era uma coisa natural. Só fui sair da casca espontaneamente no finzinho do século passado, e ajudou muito fazer terapia na UFF, porque as paisagens de Niterói (inclusive a famosa vista carioca pela qual encarnam tanto nos papa-goiabas) são maravilhosas e, graças a isso, a "viagem" era maneiríssima. Parei a terapia porque fui trabalhar no Leblon e acabei ficando um cara mais tranqüilo com o tempo (eu não disse "tranqüilo", disse mais pra mais do que pra tranqüilo, mas pôxa, não vamos pedir demais).
Agora, nem reclamo tanto do calor quando aparece um dia de sol, coisa freqüente nestas paragens. A única coisa muito chata é que eu me sentia o rei da cocada (ou da sombrinha) preta porque, no segundo grau e faculdade, eu sempre andava com guarda-chuva a tiracolo (escondido na mochila, pra não me sacanearem) e enquanto todos reclamavam do tempo, eu me sentia no meu ambiente natural, no meu Studebaker, como diria o Fozzie*. Pulando poças, equilibrando o guarda-chuva, os que me sacaneavam ensopados e eu ali, sequinho, naqueles dias em que todo mundo jura que não vai chover e chove, e só eu tava preparado. Preparado até demais, porque o dia amanhecia nublado e frio, esquentava com o avanço da manhã, meu casaco não cabia na mochila e eu acabava andando vestido nele mesmo embaixo de 35 e 40 graus.
De 2003 pra cá eu comecei a não gostar de guarda-chuva. Adoro andar com as mãos livres e até aprecio os dias de sol, apesar de odiar calor com a mesma intensidade de sempre. Mas não sinto mais tanto. Acho que ajudou o fato de eu não levar mais casaco pra cima e pra baixo. Enfim, não sei se fico pau da vida porque perdi meu diferencial ou se fico feliz por conseguir curtir a Guanabara melhor do que antes.
De uma forma ou de outra, o fato é que o horizonte de Copacabana branco e vazio enquanto todo mundo reclama continua me fazendo sentir dono da praia... :}
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*No genial "Muppet Movie", primeiro longa dos bonecos do mestre Jim Henson, o Fozzie vai dirigindo pela Califórnia num carrão cinqüentista com o Caco (Kermit) no banco do carona. Do nada, o urso solta uma daquelas frases surreais e absurdamente gratuitas como só mesmo Uncle Jim poderia bolar:
"A bear in its natural habitat: a Studebaker".
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Quinta-feira, Fevereiro 17, 2005
LADO Z, RITMO CARNAVALESCO, ÂNGULO ALHEIO
Depois dessa insônia que me acometeu e não me deixa dormir nem pensar direito ("Muito loló na mente", como diria um certo folião pernambucano que eu nem conheço), nada como o velho control-cê-control-vê pra deixar o registro, ainda que tardio, da abençoada criatividade brasileira no carnaval de Olinda. Tentem ler com sotaque pernambucano, por favor. :D
"Eu tava na Casa da Antarctica, ali na frente estava lotado, ficava MUITO apertado... e quando estou lá bem tranquilo, observando a rua e tomando aquele cerva geladinha (a mais gelada de Olinda, por sinal), eis que escuto um barulho ensurdecedor de uma sirene... aí olho e vejo 3 caras, um com a sirene na mão, outro guiando uns fios e um outro com uma bateria de carro na mão... se acabando com o peso... na maior carreira, todo mundo abria caminho! ueheuehuehue... aí depois de um tempo eles passaram lá de novo, dessa vez com a sirene dentro de um carrinho de bebê! hahahaha... haja criatividade! ;)"
"No Alto da Sé, no desfile da S.J tinha um super homem que voava de verdade! Claro, com a ajuda de alguns amigos que o suspendiam, mas era muito engraçado ele atravessava o desfile na pose clássica do Homem de aço (Braço direito estendido e esquerdo para trás), o cara era bem magrinho, barbudo e usava óculos escuro, mas era o Sper Homem! Ri demais!"
E pra finalizar, esse aqui de cujo P.S. eu ri que só a peste:
"O bloco 'Abra seu negócio', acho q era esse o nome, o boneco deles era um cara, q era um boneco de Olinda em pessoa. Mt tosco eu já tava bebado mas não aguentei de rir e o cabra levando espuma e água na cara, foi hilário. Ahhh, uma menina beliscar minha retaguarda e ver minha namorada indo atras dela foi mt engraçado tb. Ainda bem q foi uma mulher.
P.S.: Amor se vc tiver lendo isso eu não gostei do beliscão viu??? TE adoro!!"
RÁ RÁ RÁ RÁ RÁ RÁ RÁ RÁ RÁ RÁ RÁ RÁ RÁ RÁ!!!!!!!!
(Fonte: Orkut - Comunidade Carnaval de Olinda
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=126899&tid=7503167)
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Terça-feira, Fevereiro 08, 2005
Depois de ler uma besteira de um cabra doente da cabeça e do pé, que sente saudade daquelas malditas caixas de som que entulhavam e destruíam a harmonia musical do sagrado carnaval do patrimônio histórico de Olinda, resolvi lançar o
MANIFESTO DITATORIAL FRENEVALESCO
Nós, carnavalescos tradicionais, ortodoxos, brasileiros, ufanistas e intransigentes, nesta decretamos:
Parágrafo s/n - Qualquer frase musical de axé music, música eletrônica, pseudofunk ou qualquer ritmo que não tenha a ver com Pernambuco (a saber, frevo, maracatu, mangue beat e suas variações e combinações multiculturais) será punida com sombrinha no quengo, passo de frevo nos culhão e estrangulamento com serpentina. Pá, parará-parará, parará-parará, parará-parará-rá!
Olinda, terça-feira de carnaval, século XXI, Ano V.
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Sábado, Fevereiro 05, 2005
LADO Z, ÂNGULO FRENEVALESCO
Olinda, sábado de carnaval, Ano V do Século XXI.
Dizeres carnavalescos de Olinda que eu só pude registrar na memória porque se levasse a máquina ela não voltaria viva na multidão
Camisa-uniforme de bloco/ajuntamento carnavalesco de jovens, todos aparentemente sem instrumentos, fundo branco:
OrkutArrocho
("Orkut" em preto, "Arrocho" em roxo mermo)
Faixa cuja metade esquerda exibia o horário de uma escola de samba-funk e cuja metade direita dizia:
CORDÃO UMBILICAL - A LOJA QUE ALIMENTA SEU ANIMAL
E, gran finale, camisa amarela sem manga vestida por um folião com pinta de universitário pernambucano dizendo:
EU SOU VAGABUNDO E NÃO DESISTO NUNCA
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Sexta-feira, Fevereiro 04, 2005
LADO Z - ÂNGULO PRÉ-CARNAVALESCO
Mensagem pré-carnavalesca que recebemos aqui no trabalho:
"P/ conhecimento de todos.
Resumindo, depois da migração/instalação do Office 2003, não se consegue imprimir imagens JPEG, pois esse novo pacote não vem com o "assistente de impressão" necessário. Assim, o recurso é exportar a imagem para um outro software, Power Point por exemplo"
Eu REALMENTE vou precisar desse carnaval pra refrescar meus ânimos.
Boa folia pros foliões e bom descanso pros fuleiros... :) brincadeira. Feliz carnaval!
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Quarta-feira, Fevereiro 02, 2005
BRASIL BENEVIDES
(porque eu andava sentindo falta dum cordel ufanista)
- Luiz Alberto Benevides, 2/2/2005 -
O meu norte é o meu Nordeste
E o Nordeste é Benevides
O Nordeste das Helenas,
Severinas, Madalenas
Bius, Zés, Isaacs, Farids.
O Nordeste é mais família
O Nordeste é mais raiz
Lá vou eu pra Pernambuco
Quase a ponta do nariz
Do meu continente-país
Vou frevar que nem maluco
Pra lembrar que sou feliz
E que tudo é alegria
Se a casa não é vazia
Tendo sempre um primo ou tia
Pra enriquecer seu dia
O Brasil é mais Nordeste
O Brasil é mais família
Mas minha família é mais
Em tempo de briga ou de paz
E quem diz que o carnaval
Não é mais familiar
Não é sangue ou agregado
Desse clã tão singular
No qual tão logo chegado
Você é aconchegado
Logo fica aprochegado
E jamais será negado
De você o seu legado
Por mais que esteja pegado
Seu parente anfitrião
Por falta de tempo ou espaço
Sempre há uma condição
Pra abrir um par de braço
E te dar aquele abração
O Brasil é mais família
Por mais que o blasé duvide
O Brasil é mais Nordeste
Na miséria que o agride
Podem pôr meu ânimo em teste
Que eu o ergo no vôo de mil milhas
Só pra reconstatar o inconteste:
Seja sul, norte ou centro-oeste
O Brasil é Benevides.
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