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{Sexta-feira, Outubro 28, 2005}


LADO Z, ÂNGULO ATAQUE


Nessas horas eu fico envergonhadíssimo da passividade brasileira. E a mídia ainda quer que a gente sinta orgulho do Pelé. Isso aí abaixo é que é centroavante, não aquela coisa que a gente teve aqui em casa.


Maradona chama Bush de "assassino" na TV cubana
(00:34 de 28/10, atualizada às 02:45 de 28/10)


HAVANA, 27 out (AFP) - O ex-craque argentino Diego Maradona chamou o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, de "assassino" e criticou sua presença na Cúpula das Américas de Mar del Plata, garantindo que vai liderar os protestos contra a presença do líder americano na Argentina.


"Na Argentina tem gente que é contrária à presença de Bush, e eu sou o primeiro. Ele nos fez muito dano. No meu humilde modo de pensar, acredito que é um assassino", disse Maradona ao lado do presidente cubano, Fidel Castro, no programa Mesa Redonda.

Maradona disse que pensa em liderar as manifestações contra a presença de Bush em Mar del Plata, no sul da Argentina. "Pisa em nós, e ainda temos que aturá-lo. Vamos concordar com isto? Eu e muitos argentinos não".

Fidel Castro elogiou a atitude de Maradona e disse que "quem preside o império é 'persona non grata' na Argentina" e não pode pretender "ser recebido com aplausos ou canções de amor", ainda que "este hospitaleiro país não vá se rebaixar usando a violência".

Protestos contra a presença de Bush estão marcados em pelo menos mil cidades da Argentina na próxima semana.


Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/materias/esportes/2161501-2162000/2161831/2161831_1.xml

Zanzou por aqui Luiz com Z às 7:51 AM
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{Sábado, Outubro 22, 2005}


LADO Z, ÂNGULO MANCHADO


E enquanto o povo decide e vota, uma pseudoparente minha emporcalha o nome da família assim (todos os grifos e destaques no texto são meus):

"Sobre o plebiscito

Dias atrás a jornalista Laura Benevides, da Frente pelo Não, recebeu um e-mail dizendo que traficantes do Morro do Dendê haviam abraçado a defesa do Sim. Ela entrou em contato com o responsável pela notícia, o site Cocadaboa, sem saber que é uma página humorística. Deram-lhe o telefone de um "traficante" chamado Xaxim e Laura fez longa entrevista, que circula na internet. Somente minutos antes de publicá-la avisaram que era trote.
"
(coluna Gente Boa, Jornal do Brasil, 17/10/05)


Essa patinha caiu feito uma laurinha da seguinte forma no Cocadaboa:

"Diga Não ao Não
03/10/05 - Arquivado em: Cocada Responde

De: Laura Benevides
Para: webmaster cocadaboa

Olá!
Li a matéria "Traficantes querem proibição do comércio de armas", publicada hoje e gostaria de entrar em contato com o(a) repórter para mais informações. Gostaria de conversar com ele(a) ainda na quinta-feira (amanhã), se possível.
Aguardo um retorno.
Um abraço.

*Laura Benevides*
*Assessoria de Comunicação Social*
*Frente pelo NÃO no referendo - Vote 1 Vote NÃO!*
*(61) 9606-**** e (61) 3225-**** ramal 303*
"


Ao que o webmaster respondeu, ainda sem ela entender que era sacanagem:

"Laura,
Entramos em contato com o repórter responsável pela matéria, mas ele disse que se nega a falar com qualquer pessoa que seja contra a proibição de venda de armas. Ainda mais se essa pessoa é uma representande [sic] oficial deste movimento. Lamento a atitude radical dele. Viadagem desses hippies pacifistas, sabe como é....
Se precisar de qualquer ajuda, volte a entrar em contato.
Abracetas
MrManson

Mr Manson as 13:12
"


Detalhe: a assessora de comunicação Laura Benevides também foi a responsável pelo seguinte

"AVISO DE PAUTA

Rede Globo é obrigada a usar a expressão 'referendo sobre venda de armas'

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu que a Rede Globo de Televisão deverá a partir de ontem, dia 29 de setembro, usar a expressão "referendo sobre a venda de armas e munições" em todas as notícias veiculadas sobre o referendo em seu noticiário."


Fonte: http://64.233.161.104/search?q=cache:gsSy-Y91sjcJ:www.syszop.com/+%22laura+benevides%22&hl=en


Depois a gente, que é xará sem querer, é que tem que agüentar a gozação. :D

Zanzou por aqui Luiz com Z às 2:15 AM
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{Sexta-feira, Outubro 21, 2005}


SIDE Z, COLD COW


ETERNO INSATISFEITO TEMPORÁRIO
(Luiz Alberto Benevides, 21/10/05)

De volta à vaca fria
Apelo pra poesia
Sempre de alma quente
Que expande tão-simplesmente
De modo que sempre entorna
E pesa que nem bigorna
Sobre a minha paciência
De forma que não há conquista
De coisa ou gente benquista
Que funcione nessa hora
Quando só se quer ir embora
Sumir
Sem noção
Prevista
Fugir
A perder
De vista.

Zanzou por aqui Luiz com Z às 2:24 AM
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{Sábado, Outubro 15, 2005}


LADO Z, ÂNGULO GENIALMIR

Não sei de que guerra ele tava falando, só consigo imaginar um desertor da Guerra do Paraguai. Enfim...

______________________________________


Trem do Pantanal
(composta e interpretada por Almir Sater)

Enquanto este velho trem
Atravessa o pantanal,
As estrelas do cruzeiro fazem um sinal

De que este é o melhor caminho
Pra quem é como eu
Mais um fugitivo da guerra.

Enquanto este velho trem
Atravessa o pantanal,
O povo lá em casa espera que eu mande um postal

Dizendo que eu estou muito bem vivo
Rumo a Santa Cruz de La Sierra.

Enquanto este velho trem
Atravessa o pantanal,
Só meu coração está batendo desigual.

Ele agora sabe que o medo viaja também
Sobre todos os trilhos da terra
Rumo a Santa Cruz de La Sierra.

Sobre todos os trilhos da terra.

______________________________________

Como é que uma letra dessa consegue ser transformada por uma melodia daquela e provocar exatamente o contrário da sensação do protagonista da letra?
Só digo uma coisa: nunca mais se venderia Lexotan nem Prozac nesse país se todos os ansiosos e infelizes do Brasil ingerissem duas audições diárias disto aqui:

http://www.mundodesonhos.com.br/audio/indice_musical/andromeda.php?q=f&f=%2FMusicas+MP3%2FAlmir+Sater

Grande Almir, obrigado por existir (e não, a rima não foi de propósito, elas me perseguem. :P).

Zanzou por aqui Luiz com Z às 3:29 PM
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{Domingo, Outubro 09, 2005}


LADO Z, ÂNGULO J

Por telefone, falando com a Yoko de Los Angeles, meses depois de trair a mulher com a May Pang, ser expulso pela patroa de Nova Iorque e passar esse tempo tomando e comendo todas em L.A.:
"Cansei. Quero voltar pra casa."
(como a japonesa jamais foi besta, recebeu um sonoro não e tomou uma bela lição até ser aceito de volta depois de vários meses passados. Durante essa fase de depressão fez mais uma obra-prima chamada "Walls and Bridges")

"Ficou claro que eles tinham combinado me fazer encontrar os dois assim e a crueldade do John foi difícil de absorver."
(Cynthia Powell, ex-mulher, mãe do Julian, relembrando em 2005 a gota d'água que a levou a se separar do marido, na manhã em que o encontrou sentado do lado da Yoko, os dois só de roupão, em 1968 - http://www.theaustralian.news.com.au/common/story_page/0,5744,16717458%255E28737,00.html)

"PLAF! PAF!"
(onomatopéias dos barulhos que devem ter saído quando ainda eram pós-adolescentes e ele deu um tapa tão forte na Cynthia que ela foi jogada contra a parede; tudo porque na véspera ela tinha dançado com o melhor amigo dele, Stu Sutcliffe - http://www.theaustralian.news.com.au/common/story_page/0,5744,16717458%255E28737,00.html)

"Eu tinha uma grande raiva do meu pai por causa da negligência e atitude dele com relação a paz e amor, já que essa paz e esse amor nunca chegaram em casa pra mim. O triste é que eu nunca conheci o cara de verdade."
(Julian, filho mais velho - http://news.bbc.co.uk/1/hi/entertainment/1058638.stm)





Esse sujeito escreveu "Imagine", escreveu "All You Need Is Love", "Grow Old with Me", Woman", "Love" e mais quilos das letras mais lindas e melodias mais próximas ou equivalentes à perfeição. E quando escrevia sobre o ódio e dor que sentia ("Mother", "Help!", "Cold Turkey", "Working Class Hero", "Power to the People", "Woman Is the Nigger of the World", "Luck of the Irish" etc. etc. etc.), sempre saía alguma obra-prima.

Esse sujeito faria 65 anos hoje e, mesmo tendo recebido de volta em poucos segundos, de um maluco qualquer, toda a carga negativa que já tinha soltado nas pessoas mais próximas, essas pessoas reconhecem que ele faz falta e lamentam sua destruição repentina. Falta, se não pra vida delas, pelo menos pra vida de desconhecidos do mundo inteiro. E é muito, muito chato ser um deles.

Feliz de quem o conheceu e pode se consolar com a parte ruim que se perdeu. Ou não, porque a idade andava melhorando lentamente o caráter dele. Tanto que o Sean, filho mais novo, praticamente só tem lembranças boas do pai, diferente do que aconteceu com o Julian (lembrando que o Julian, por menos que visse o pai, morou oficialmente com ele até os 5 anos, mesma idade que o Sean tinha quando ficou órfão).

O fato é que, por mais que eu tenha raiva de alguém, sempre procuro pensar no caráter do John, por pior que fosse, e no que o mundo ganhou com o assassinato dele. E aí continuo sendo contra a pena de morte. E antes que me perguntem, sim: a favor do desarmamento também.

Zanzou por aqui Luiz com Z às 3:40 PM
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{Sexta-feira, Outubro 07, 2005}


LADO Z, ÂNGULO DIDÁTICO

E eis que mais um desses spammers que nas últimas 3 semanas resolveram assolar o Orkut me manda uma dica cultural de um lugar chamado Cangaíba. Claro que eu não podia simplesmente apagar o spam ou denunciar o sujeito. Cumpria a mim, na minha didática função de publicitário ensinando uma lição básica a um sem-noção, sacanear o nome do lugar pra ver se o sujeitinho pelo menos se tocava de quem invade o espaço alheio não pode reclamar da reação alheia.

Em vez de chegar com pilhas de palavrões como muitos fazem, simplesmente perguntei no scrapbook do sujeito se Cangaíba era onde andavam de canga, ou algo do gênero (não lembro agora). Não é que o joselito se atreveu a ficar ofendidinho com minha resposta, apesar dele ser o spammer sem-noção (desculpem a redundância)?

Eis a tréplica do infeliz:
"Cangaíba é um distrito situado na Zona Leste da cidade de São Paulo, que abrange os bairros de Jardim Dânfer, Vila Silvia, Engenheiro Goulart, Jardim Janiópolis, Vila Londrina, Chácara Cruzeiro do Sul, Jardim Piratininga, Vila Penteado, Vila Brasil, Vila Buenos Aires, Vila Rui Barbosa , Vila Concórdia e jardim Penha.

Quer saber mais?

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cangaíba

Pra quem trabalha com comunicação vc deveria ser mais aberto para aprender e conhecer mais sobre tudo. Inclusive sobre os trabalhos desenvolvidos na periferia de SP. Ou onde vc mora não tem periferia?"

E eis minha generosa resposta:

"Claro que existe periferia no Rio, companheiro. Pena que a comunicação inadequada de muitos dos seus membros e/ou simpatizantes acabe por manchar o nome de muitas comunidades carentes. Esse é o problema dos spammers de uma forma geral: envio de mensagens indiscriminadas sem qualquer preocupação em selecionar o público-alvo, seja por critérios sócio-culturais, econômicos, estéticos ou mesmo geográficos (já imaginou o pobre internauta do Acre recebendo um spam sobre a noite paulistana? Só não digo que isso é o que mais acontece porque, devido à péssima distribuição de renda e populacional no nosso país, o Acre certamente tem uma percentagem bem baixa de cidadãos incluídos digitalmente, quanto mais com acesso à web). Impressionante que em 2005 ainda não se tenha aprendido uma lição básica do pioneiro Claude Hopkins, que já em 1923 escreveu o óbvio em "Scientific Advertising": "Dirija-se às pessoas que lhe interessam, e só a elas."
(p. 48 da tradução da Editora Cultrix).
De nada,
Luiz."

Por mais que minha mãe tenha se esforçado pra me passar seus valores mais nobres e tal, vou te contar: tá cada vez mais difícil ser humilde nesse mundo.

Zanzou por aqui Luiz com Z às 1:42 PM
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{Terça-feira, Outubro 04, 2005}


LADO Z, ÂNGULO ALTER-EGO

Desde que começou a escrever (ou pelo menos assinar matérias) no JB, eu sempre me identifiquei com o Renato Lemos. Mas o mais engraçado é que gostamos das mesmas coisas em diferentes intensidades.

Por exemplo, eu não ligo a mínima pra futebol mas posso me dizer botafoguense porque sempre adorei todos os símbolos do alvinegro (cores, escudo, estrela solitária, hino, posicionamento entre os demais cariocas, ídolos, enfim, todo o pacote de marketing, criado muito antes do termo "marketing" existir nos próprios Estados Unidos). Já ele é adepto a ponto de ter citado o Fogão em 1993 na hora de dar a cotação de uma estrela pra um telefilme besta na Bandeirantes ("Apesar do título, o filme não tem nada a ver com o glorioso campeão da Conmebol. Mesmo assim, merece uma estrela solitária").

Em junho de 95, quando ele foi fazer a crítica do filme "Pocahontas", levou a filha de 3 anos junto, idéia que eu achei fantástica e aprovei imediatamente. Esperta que nem o pai, perguntou "Pai, cadê a outra Pocahonta?", e logo ele notou que o S do fim do nome podia ser facilmente entendido por crianças pequenas como sufixo de plural. Isso sem contar os comentários bem-humorados em todos os artigos que escreve com perfil opinativo. Enfim, volta e meia o sujeito publica algum ponto de vista ou atitude que denota carisma e bom caráter.

Mas dessa vez o Renato passou dos limites. Nunca me identifiquei tanto com uma matéria dele. Curtinha, despretensiosa, na primeira página (tirando a capa) da última revista Programa do JB, última semana de setembro. Não sabia que ele também era de guardar tralhas de alto valor afetivo, como eu. Daí eu ter catado a matéria na versão online do JB pra encher lingüiça enquanto continuo com pouca idéia e muito trabalho.

Mas pra seguir a tradição, é claro, tinha que haver uma diferença básica entre nós. Ele fala descontraidamente da mãe, sem maiores ressentimentos, só uma razoável tristeza por ela ter tacado fora suas preciosidades. No lugar dele, eu provavelmente esperaria o melhor momento da minha independência financeira pra me declarar órfão de mãe, pois ia ser ruim de olhar de novo na cara dela depois de uma dessas. Assim como é difícil olhar a cara do Lula em qualquer veículo em que ele apareça.

Enfim, ficam aqui minha saudável inveja dessa capacidade de perdão filial e o que mais interessa: a minicrônica dele, cuja concisão e alto astral valem mais do que muitas grandes matérias jornalísticas ou grandes romances já escritos. Até porque, na melhor tradição de Luis Fernando Verissimo, ele consegue partir de um assunto totalmente ameno e numa única frase, concluir tudo com a crítica política mais contundente e sutil de todas as que eu já li neste ano.

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Falando Nisso: O museu de cada um
Renato Lemos

Já tive o meu museu do lixo. Era um bom museu, formado por coisas que já não me serviam mais que eu relutava em jogar fora. Um Falcon sem cabeça, por exemplo. Um álbum de figurinhas do Campeonato Brasileiro de 1977 pela metade. Uma camisa Val Surfe - com uma estampa inspirada num desenho do Crumb - tamanho 12. Coisas aparentemente inúteis, mas que, juntas, podem contar um pouco da minha história. Um dia minha mãe juntou meu acervo, colocou dentro de umas sacolas das Casas da Banha e deu sumiço.

Cheguei a ter esperanças de reencontrá-los no Museu da Limpeza Urbana. Nem isso. O museu, mantido pela Comlurb no Caju, é dirigido para apetrechos usados na limpeza das ruas e não ao que nelas se recolhe. Estão por lá carrinhos, vassouras e fotos que contam a história da coleta de lixo na cidade. Vale a pena dar uma espiada. Mas se forem lá pensando em encontrar coisas que se arrependeram de tacar no lixo, podem tirar o cavalo da chuva. Não vão encontrar. Votos jogados fora, por exemplo, nem pensar.

Fonte: http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/cadernos/programa/2005/09/29/jorprg20050929010.html

Zanzou por aqui Luiz com Z às 6:06 PM
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