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{Sábado, Dezembro 31, 2005}


LADO Z, ÂNGULO RECICLADO

Nada como sair do ano velho reciclando uma idéia velha e piorando um pouco, só de sacanagem. FELIZ MEIA DÚZIA!!!


EU APENAS QUERIA RECICLAR OS VERSOS
(ou "Perdoai-me, Gonzaguinha, eu não sei o que faço" -
uma besteira de Luiz Alberto Benevides, 31/12/05)

Eu apenas queria que você soubesse
Que meia dezena não é meia dúzia
Que 2006 não é 2005
Que faltam catorze pra 2020

Eu apenas queria que você soubesse
Que aqui em Olinda né Recife não
E que Pernambuco não é Paraíba
Mas qualquer lugar é bom aqui em riba

Eu apenas queria dizer a todo mundo que desgosta
Que esse ano goste muito mais
Seja do que for, desde que faça bem
E a necessidade de reiniciar
A todo dia, toda hora
Nunca exista mais, porque não dá pé
Dar boot é um saco, sinto-me um manééé, ééé-é-é-é
(fiiii, firifu, fufu!)

Eu apenas queria que você soubesse
Que não precisamos reinventar a roda
Só trocar o pneu pra evitar feridas
E o colesterol até que é bom na vida, aaaai, aiaiai.

Fufurifififififi, firiruuu, firiruuu... fufurifififififi, firiruuu, firiruuu, fiu-fiu! fufurifififififi, firiruuu, firiruuu... (fade-out)

Zanzou por aqui Luiz com Z às 6:07 PM
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{Quinta-feira, Dezembro 22, 2005}


LADO Z, ÂNGULO NATALINO


ROUND DE NATAL
(Luiz Alberto Benevides, 22/12/05)

Bate o sino pequenino
Que a ceia já vem
Já ferrei o intestino
Mas tô muito bem.

Vai pra um canto, come enquanto
A conta não vem
Come tanto, bebe o quanto
Suportar e além.

Ao suar mais frio, pede ajuda ao tio,
Esconde do filho e sorri feliz.
Noite de excessos, ano de sucessos,
São os votos sinceros do amigo Luiz.


MERRY CHRISTMAS, EVERYBODY!!! \o/


Zanzou por aqui Luiz com Z às 8:32 PM
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{Segunda-feira, Dezembro 19, 2005}



O TEMPORA, O MORES
(Luiz Alberto Benevides, 18/12/05)

Eu quero mais tempo
Eu quero mais tanto
Quero porque quero
Pernas pra que te quero
Senão pra correr
A favor do tempo
Pois contra eu já corro
Desde o meu início
Os meus priscos tempos
Olhando pra trás
Batendo com o quengo
No poste-progresso
Só quero agora
Não comer poeira.
Ei, o tempora,
Contigo e não abro,
Mas, o mores,
E a força do hábito?

Zanzou por aqui Luiz com Z às 3:41 AM
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{Sexta-feira, Dezembro 16, 2005}



HARD TO BE IN MY CORE
(Luiz com Z, 12-16-05)

Everybody's taken
Everybody's makin' it
Anybody's gettin' down
Anybody's having now
Somebody for their vow
Somebody anyhow
Catch me now I'm freakin' out
Shut me up I'm gonna shout
Hold me close I'm fallin' down
Make me feel I'm such a clown
Come on out I'm feelin' blue
Laugh at me I'll smile at you


* * * * * * * *

Agora só preciso que o Alejandro berre isso tudo pra mim com a garganta que eu nunca vou ter, de forma a tornar útil pra alguma coisa. :)

Zanzou por aqui Luiz com Z às 1:51 AM
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{Terça-feira, Dezembro 13, 2005}


THE DAY AFTER (JOURNAL OF A WEB-ADDICTED GUY)
(Luiz Alberto Benevides, Dec. 12, 2005)

I feel light
I feel mighty
I'm delighted
I feel fine
Like no time
In my life
I can rhyme
Like a knife
Feels precise
And concise
I feel bold
Never old
No longer murky
Is my day
Now cold turkey's
Gone away
I'm so fine
Just that I'm
Back online.

Zanzou por aqui Luiz com Z às 1:11 AM
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{Domingo, Dezembro 11, 2005}


PREGUIÇA CAPITAL
(Luiz Alberto Benevides, 11/12/05)

Comer pra poder sobreviver
E se alimentar sem engordar
Saber dirigir e melhor viver
Sem atropelar nem se matar
Lavar roupa sem tempo perder
Lavar a pele sem se esfoliar
Se relacionar se aparecer
Alguém com quem possa se encaixar
Momento de alarde
E não há rima nobre
Que surja em tão pobre
Sentimento abissal
Que agora aqui me invade
Preguiça que me enfada
E dá uma desgraçada
Inveja do animal
Que passa no recinto
E vive só de instinto
Queria me igualar
Melhor ir deitar lá.


SOUL MARKETING
(Luiz Alberto Benevides, Dec. 11, 2005)

I wish I was here
I wish I'd be more
What I long to hear
From those I care for
I wish I was an ad
To please mom and dad
A happy commercial
For family-bound
Sweet moments of joy
A happy inertial
Red merry-go-round
And keep' em all safe
From trouble and strife
But then, this is life
For which there's no mission
We never audition
And even the ads
Are always positioned
Thus, if life's no market,
I don't have to worry
'cause I just can't hurry,
I've found I'm no ad,
I'm rather, instead,
A goddamn hard target.

Zanzou por aqui Luiz com Z às 3:04 PM
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{Segunda-feira, Dezembro 05, 2005}


LADO Z, BLOG VERDE, ÂNGULO MADURO
(ou "Como Enterrar um Amor Platônico")



CAPÍTULO TERCEIRO E DERRADEIRO

MAS QUEM DISSE que eu tenho jeito? Noto que sou mais facilmente subornável do que qualquer miserável quando a ícona me elogia por eu saber de cor os nomes dos três porquinhos e eu fico lisonjeado por isso. E continuo lisonjeado, mesmo depois de outro cara da mesa dizer "Heitor, Cícero e Prático" (até porque a ordem-padrão é "Cícero, Heitor e Prático", que foi a que eu usei). Aí percebo que ela podia até elogiar o fato deu saber contar até três na minha língua-mãe, que me deixaria lisonjeado.

NESSA HORA, ALGUÉM fala de Almanaque Anos 80 e, antes que eu meta o pau nos defeitos do livro, ela faz isso por mim. Pra piorar, o subprefeito também conta de quando ela era ainda mais novinha, mas já de maior, e se despencava pra tirar xerox de santinho dele sei lá onde. Ele, que era o "canidato" (como diria meu pai), acabou nunca conhecendo o xeroqueiro porque este sempre pedia pra mandarem a ícona pegar as cópias. No wonder. You may say I'm a dreamer, but I'm not the only one.

E EU FICO pensando que nunca vou conseguir destruir aquele ícone. Aquele bando de gente blasé, poser, esquerda-festiva, e ela é a única que fala das coisas com paixão. Até o subprefeito, subtextualmente (meu trocadilho é sem gelo, por favor), no fim de tudo, declara que ela é uma das pessoas mais especiais que já conheceu, desde menorzinha. Sabe quando toda a mesa fala de qualquer assunto de modo cínico, calculado, distanciado e irônico, e uma única pessoa se destaca por não conseguir esconder a autenticidade do que diz e faz? Pois é, a ícona. Nem Gabeira nem César Maia conseguem desfazer a imagem. Ou seja, parece um caso perdido...

...A NÃO SER por um detalhe: além do caminho-de-rato de estrelinhas tatuado na nuca, tem uma hora que a camisa levanta um pouco e dá pra ver que no fim das costas, na altura do cóccix, ela tem uma tatuagem nova bem avantajada. Parece uma daquelas imagens bem templates, tipo criada-para-tatuagem. Um rabo de dragão, não sei.

SÓ SEI QUE nessa hora foi caco de ícone pra tudo que é lado. Perdi o sono, mas ganhei a noite. Graças a um bom número de manchas verdes (sem trocadilho dessa vez), meu amor platônico cai de maduro pra eu poder enterrá-lo em paz.

I HOPE SOME guy will join her and their world will be as one.


Zanzou por aqui Luiz com Z às 2:43 AM
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{Sábado, Dezembro 03, 2005}


LADO Z, BLOG VERDE, ÂNGULO MADURO
(ou "Como Enterrar um Amor Platônico")



CAPÍTULO SEGUNDO

MAS VEJA QUE no momento exato em que acendem a luz depois dos créditos, o telefone toca e não é justamente a sua amiguinha ex-platônica retornando a sua ligação? Você diz que tá no Odeon e ela informa que tá a uns duzentos metros de você. E depois de filar muitos salgadinhos ao som de hip-hop do bom no cinemão, se encaminha ao bar onde ela está reunida com um pessoal.

TUDO PRA DESCOBRIR que o pessoal é do Partido Verde e que, sim, ela não largou essa vida de militante do pevê na qual esteve desde os oito anos, graças aos pais. Até que os colegas dela são verdes mais orgânicos (com trocadilho, por favor) do que você pensava, eles falam de meio-ambiente, como se adiantasse alguma coisa numa legenda que sempre fecha com o fascístora (facínora fascista) César Maia. Pra piorar, ela te dá atenção o tempo todo, é engraçada e inteligente, o que só aumenta seu inconformismo com o contexto político dela.

MAS NÃO PÁRA por aí. Porque dali a gente passa no bar Verdinho (o meu é com trocadilho, por favor) onde outra mesa de verdes confraterniza. E eu, na minha curiosidade mórbida, aceito o convite pra sentar com ela de novo. Quero masoquistamente aprofundar meu conhecimento do mundo verde pra tentar destruir, obliterar, esmigalhar o ícone que essa garota de certa forma ainda é pra mim.

ENTÃO ME CONCENTRO no nome Gabeira, tentando associar esse asco ao nome dela pra pensar que ninguém é perfeito; me concentro no jeito poser dos integrantes dessa segunda mesa; me concentro no rabo-de-cavalo cult e nas duas canetas mais lapiseira no bolso da camisa social quadriculada toda aberta do pseudo-esquerda-festiva que parece ser o líder da patota; e, como se não bastasse, descubro que o cara é o subprefeito do centro aqui do Rio (com advérbio e sem nome porque não quero que a assessoria de imprensa do sujeito venha parar no meu brogue que é verde por fora, mas vermelhinho por dentro).

POR ISSO NÃO GÜENTO quando o subprefeito pseudo-pós-riponga declara que em 94 votou no Garotinho pra governador e um outro verde retruca dizendo:
- Como você pôde votar no Garotinho?

E EU QUEBRO meu silêncio dizendo:
- Eu também votei, só que em 98. Contra César Maia, até Garotinho.

FAZ-SE UM SILÊNCIO de alguns segundos na mesa, pois acabei de tocar no nervo do chefe do homenageado da mesa, que está lançando sua candidatura a deputado estadual e é sub do sub-humano fascista que controla e sufoca a minha cidade.

(to be concluded)

Zanzou por aqui Luiz com Z às 4:50 PM
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{Quinta-feira, Dezembro 01, 2005}


LADO Z, BLOG VERDE, ÂNGULO MADURO
(ou "Como Enterrar um Amor Platônico")



CAPÍTULO PRIMEIRO


MAS ENTÃO você repara que já é 30 de novembro e tem que aproveitar com urgência os últimos convites que tem pra ver de graça até o fim do mês qualquer coisa que esteja passando num cinema histórico do centro do Rio. Você então liga pra sua grande amiga e avisa que a atração da noite é o encerramento de um festival de cinema temático, só sobre periferia, hip-hop e guetos brasileiros. E ela fica de sobreaviso.

NÃO É QUE aí você nota que seus convites são válidos até o fim do ano, pois os velhos deixou em casa e vai perder mesmo? E liga pra desmarcar.

A ESSA ALTURA você já tá atoladíssimo no trabalho mas liga pra outra amiga sua com quem tem bem menos contato mas queria saber como ela tinha chegado da viagem à serra gaúcha porque ela é seu ex-amor-platônico mais duradouro depois da sua já falecida prima (nesse domingo fez sete anos da morte, que merda). E eis que ela chegou bem mas vai pra uma reunião e depois a gente se fala, mas fala mesmo. E você sabe que amor-próprio é um conceito que nunca vai desenvolver, porque aos trinta anos cravados, mesmo depois de algumas fases de terapia na sua vida, mesmo depois de tomar muito na cabeça, não consegue ficar chateado com ela, até porque é muito educada, só com a sua própria vida.

ENTÃO NOS FINALMENTES, já saindo às dez pras oito, um colega comenta que a sessão do dia é grátis, nem precisa de convite. Enquanto a amigona foi pra um lado e a amiguinha foi pra outro, e sem o mínimo saco de socializar com ninguém, querendo comparar sua vida com a de gente muito pior situada socialmente pra se sentir um pouco melhor, você se manda pro cinemão e vê um clássico recentíssimo que nunca vai mostrar pra ninguém de fora do Rio, porque senão todo mundo vai pensar que a cidade toda é um inferno. Ainda assim, "Notícias de uma Guerra Particular" justifica o título de melhor coisa que já se fez sobre a dependência econômica das favelas cariocas do tráfico de drogas. E você entende que só mesmo morando na cidade pra saber como se vive nela, porque nem você nem seus próximos residentes no Rio - com uma exceção maldita que não cabe descrever aqui - jamais chegaram perto de nenhuma situação daquelas descritas no filme.

(to be continued)

Zanzou por aqui Luiz com Z às 3:01 AM
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