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Terça-feira, Fevereiro 28, 2006
LADO Z, ÂNGULO AUTO-REFERENTE
LADO Z
(Luiz Alberto Benevides, 28/2/06)
Blogo logo insisto
Rimo não desisto
Penso, blogo, existo.
(logo logo avisto
Mais rimas pra isto)
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Segunda-feira, Fevereiro 27, 2006
DA SÉRIE "QUE ÓDIO, POR QUE NÃO GRAVEI ISSO?"
CENA 1 - EXT. - NOITE
Domingo de carnaval de 2006. Caprichosos de Pilares despontando na concentração. Repórter da Globo, todo paramentado, uniforme Globeleza, na arquibancada lotada da Sapucaí. Traz na mão esquerda um instrumento de percussão de madeira clara que parece ser um reco-reco avantajado e, na mão direita, o indefectível microfone. Sai passando pelos espectadores que suam, sambam e sorriem. Aborda uma senhora baixinha e cheinha que sabe bem todos seus setenta e poucos anos.
REPÓRTER: A senhora sabe que instrumento é esse?
SENHORA: Isso aí? Ah... acho que é um reco-reco!
REPÓRTER: Um reco-reco? A senhora acha que é? E você?
Dando mais alguns passos pra direita, aborda, um degrau acima do da senhora, um sujeito branco, magro e saudável abraçado a uma jovem mulata, sujeito que sabe bem menos que seus trinta e poucos anos:
REPÓRTER: E você? O que acha que é?
SUJEITO [com sotaque típico e carregado]: Eu sou p'rtuguês, mas acho que é um piano!
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"Não, porque isso é folclore, isso é o imaginário brasileiro que aumenta, porque a maioria dos que se fixaram no Brasil tinha baixa instrução e falava umas besteiras, então foram inventando essa fama ..."
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Domingo, Fevereiro 26, 2006
LADO Z, ÂNGULO NOSTÁLGICO
Ninguém mandou eu ver ontem "O Enigma da Pirâmide" (Young Sherlock Holmes) e hoje ficar ouvindo a trilha d' "A Gata Comeu", ainda mais com a foto dos meus amigos do Infância 80 e do grande Edgard Poças como papel de parede. Mas burrice mesmo foi clicar duas vezes no mp3 de "Take on Me". Tive que interromper a tradução freelancer (a primeira que aparece desde março de 2004) pra me recuperar emocionalmente. E como se não bastasse, acabou de passar o primeiro episódio de "Alf" no Nickelodeon.
Quando eu era criança, teve uma vez que eu tava conversando com a minha mãe sobre o fato das lembranças de infância se sobreporem a todas as outras na velhice, por serem as primeiras. E ela deu o exemplo da vovó, que cada vez mais lembrava claramente dos anos 20. Aí eu fui perguntar "Isso quer dizer que é da década de 80 que eu vou lembrar mais quando for velhinho?"; e a mamãe: "Provavelmente sim."
Pelo menos isso me ajudou em novembro na quadra da Mangueira, quando lembrei de mais sambas do que imaginava lembrar. Mas o fato é esse: já lembro mais da minha infância do que de qualquer outra coisa. Aí, pessoal: tô velhinho. :P
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Terça-feira, Fevereiro 21, 2006
LADO Z, ÂNGULO LÍRICO
E antes que me perguntem, não, não é ninguém que eu tenha em vista. Só uma das garotas mais lindas que eu já vi, e o mais legal é que é um tipo brasileiro, impossível de catalogar racialmente e, pelo que eu apurei, não muito aceito pelos homens bitolados na estética feminina eurocêntrica. Sobre ela não sei nada, a não ser que certamente vai ficar só na poesia mesmo. Mas só por ter feito parte da paisagem tempo suficiente pra me inspirar isso, eu já fico muitíssimo feliz.
Aliás, estou chegando à conclusão que uma das minhas missões nesse mundo é desperdiçar espermatozóides na mesma proporção em que acumulo versos. Espero que sobre o suficiente pra que eu dê seguimento ao meu legado genético e cultural um dia. Minha concepção de amor é cada vez mais materialista e convicta disso. Guardadas as devidas proporções entre um projeto de felicidade coletiva e um sonho de felicidade conjugal, me sinto como o Che quando escreveu que a cada viagem seu marxismo ficava mais consolidado. O fato é que amor sem sexo é amizade, e sexo sem amor é passatempo. E a gente acaba tendo que se virar com essas duas alternativas enquanto não chega a um ponto mais próximo do ideal da osmose amor-sexo (nunca o ideal, porque, como ensinou o grande Mazzetti, o ponto ideal da osmose gera a morte do organismo).
Mas por enquanto, melhor não pensar nisso. Só deixar rolar a vida, confiar na sorte e, naturalmente, atirar ao vento o meu obrigado à musa desconhecida, porque esse aí eu adorei escrever. :) Valeu, condessa.
COUNTESS
(Luiz Alberto Benevides, 16/2/06)
Chocomilky flavored skin
Double creamy coffee scent
Lightly sprinkled sun on thin
Brownie-looking colors bent
Toward straight slight light-weight hair
Sweet smooth softly smiling glare.
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Sábado, Fevereiro 18, 2006
LADO Z, ÂNGULO PESSIMISTA
DEEP BLUE SEA
(Luiz Alberto Benevides, 2-16-06)
Hell
Burning, living, red-hot hell
Hell
Wiping off sea, sand and shells
Hell
Twisting, turning upside down
Hell
Gotta pray if you're around.
Espero que eu esteja redondamente errado. Se esses dois milhões de pessoas concentrados numa área tão restrita aqui do meu quintal atlântico não gerarem nenhuma confusão séria em pleno 2006, aí sim pode-se rir na cara de todos os que não consideram o Brasil o paraíso na terra pra todos os povos do mundo.
Peace and love, and Beatle greetings.
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Segunda-feira, Fevereiro 13, 2006
LADO Z, ÂNGULO DOCE
ESTILO PÓS-MODERNISTA
(Luiz Alberto Benevides, 13/2/06)
Sinal dos tempos
Final dos tempos
Você diz lerê-lerê
Eu canto lelê-lelê
No final, é o mesmo Lu
Ralando de até arder.
E sutileza se foi
Estilo nem aparece
Idéia, mal comparece
Me sinto assim feito um boi
Queimado e virado ao avesso
Que nem mais sabe um terço
Do que aprendeu e enlouquece
Confundindo certo e inverso
Mal sei como faço este verso
Enquanto o labor recrudesce.
E o pior cabô-se,
O amargo ócio,
Triste negócio.
O agora é doce.
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Sábado, Fevereiro 11, 2006
SIDE Z, BENCHMARK ANGLE
ADULTHOOD (A BENCHMARK POEM)
(Luiz Alberto Benevides, Feb. 10, 2006)
A little less tenderness
A bit more of tenacity
A few less expectations
A lot more real hopes
A whole lot of caring less
A big deal in carelessness
A large share of weight off me
A deep drive of thrusting through
An old feel of going to
A new will of going for
A short span of feeling blue
A long longing to feel you
A growing urge to say 'fuck you'
To who doesn't give a fuck to me
A gasping wish to grasp onto
To be with whom is good to me.
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Quinta-feira, Fevereiro 09, 2006
LADO Z, PROCESSO CRIATIVO
Diálogo travado por e-mail entre eu e minha amiga pessimista sobre o novo concurso da Petrobras:
Eu: Você não vai deixar de fazer esse concurso nem passando sobre o cadáver de um dinossauro. E os dinossauros viraram petróleo, por isso, se você passar por cima, ou afunda ou escorrega. Rá rá.
Juliana: Qual das opções você acha que será o meu futuro no concurso? Escorregar ou afundar?
Eu:
PETROLEIRO
(Luiz Alberto Benevides, 9/2/06)
Flutuar
Nas nuvens do Centro
Enésimo andar
Ou na plataforma
Mas de qualquer forma
Vivendo de mar.
Ju (pelo mote) e Leminski (pelo estilo), brigadão. :)
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Quinta-feira, Fevereiro 02, 2006
LADO Z, ÂNGULO SAGRADO
Inicialmente, este blog era um all-type fundamentalista. Ou seja, nenhuma imagem entraria nele. Um belo dia, porém, tive que quebrar a tradição graças à belíssima imagem da homenagem aos vietnamitas que se tornaram balzaquianos em 30/4/05 (5 dias antes da minha 5a. 05/05/05), trigésimo aniversário do fim da Guerra do Vietnã. Desde então, me ative a só postar imagens imprescindíveis.
É claro e cristalino que nesse rol haveria espaço pra uma mulher linda de rosto e corpo, que mesmo quando enruga o faz nos lugares certos do rosto, que é de esquerda (até onde o seu país a deixa ser sem sua vida se tornar um inferno), que apesar da cultura bélica do seu país escolheu a cultura humanista dos seus pais e que se tornou uma das melhores da história da sua profissão, encarnando qualquer pessoa ou monstro naquele layout celestial.
Mas eu nunca ia suspeitar que, além disso tudo, um dia ela ainda iria posar fazendo o gesto sagrado.
Só não digo que mataria por ela porque talvez a Winona preferisse que eu roubasse pra ela. #)
Bless you, Noni, whatever you do.
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