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Sexta-feira, Junho 30, 2006
ALEMANHA 2006 - A COPA DO GARFO E FACA
"Cara, que ódio. Só não posso reclamar de ter assistido num telão com transmissão se não me engano digital, primeiro com dez colegas de trabalho, depois quinze, no segundo tempo mais de vinte, na prorrogação mais de trinta e nos pênaltis umas cinqüenta pessoas amontoadas no auditório. Foi muito melhor que qualquer jogo do Brasil. A não ser pelo fato de eu e mais uns quarenta termos saído mais frustrados do que se fosse derrota do Brasil. Tenho cerca de 500 Mb de fotos e vídeos aqui pra provar. Já ganhei um apelido, Luiz Salgado, porque não me separo da câmera. :D
Falando em salgado, já batizei essa copa de Copa do Garfo e Faca. Primeiro porque quase todos os jogos bons (uma exceção foi o épico e magistral Portugal X Holanda) são na hora do almoço. Segundo porque todos os times africanos foram sendo garfados pelos juízes, depois a Austrália deglutida num pênalti inexistente que todo mundo no estádio viu no telão, agora meu segundo time (junto com Portugal) mandado pra su casa por conta de mais um juiz maldito, que não honra o apito e merece todos os impropérios e rimas bestas possíveis.
Destaque para nosso gaúcho de plantão, que torcia ardentemente, mais que qualquer um dos nossos, pelos seus ex-vizinhos de porta, quando viu um alemão caindo à toa perto da entrada da grande área e comentou na primeira pessoa, como se fosse o juiz: 'Bá, assim tu complica o meu lado, se não cair dentro da área não posso dar o pênalti.'
E não sei por quê, mas tenho a sensação de que este e-mail está em vias de se tornar um post.
Saludos del hermano
Luiz Alberto Benevides"
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Quarta-feira, Junho 28, 2006
LADO Z, ÂNGULO BRASILEIRO
Felicidade é poder levar pro trabalho um legítimo berrante de 80 centímetros que seu irmão te trouxe do Mato Grosso do Sul e dialogar no horário de almoço com uma corneta de plástico que imita um cavalo relinchando.
E ainda tem gente que acha que precisa gostar de futebol pra curtir copa do mundo...
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Domingo, Junho 25, 2006
COSPE, MIGUEL!
P'rtugal e Holanda, dos 30 aos 38 minutos do primeiro tempo:
- FALTA DE ATRAQUE, ô... ATAQUE, MANICHE! Ele tem os olhinhos pequenos numa cara imensa!
- [comentando sobre um jogador holandês que teria entrado muito firme em cima de uns portugueses, incluindo o craque Cristiano Ronaldo, um dos melhores do mundo] Já machucou a perna do menino, já machucou a... [Costinha mete a perna no tal holandês e leva um cartão amarelo, quinze minutos antes de levar o vermelho] ISSO! ISSO, COSTINHA! QUEBRA MERMO! [dirigindo-se ao holandês, que agora mancava] Tá vendo? Tá vendo como é bom andar de perna quebrada?
- Não deixa ele passar não, dá nele, dá nele! Po-rra-da! Po-rra-da!
- Pode deixar eles gostarem da bola não, cara!
- Eles [os holandeses] têm uns narizes engraçados, né? Uns narizes pulados pro alto... [depois muda o foco pra um dos holandeses, lembrando do meu irmão por parte de pai] não parece o Antônio? Muito parecido com o Antônio!
Mas a minha preferida foi lá pelos 25 minutos do mesmo tempo, quando o câmera deu um close na cusparada de um dos jogadores lusitanos:
Minha irmã: Ih, olha o Miguel cuspindo! Cospe, Miguel! (gargalhadas)
Minha mãe: Cospe, Miguel! COSPE, MIGUEL! COSPE NA CARA DELES, MIGUEL!!!
Quem ama futebol não sabe o que está perdendo comparado com alguém que nunca ligou pra isso mas deu a sorte de ter uma mãe fanática.
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LADO Z, ÂNGULO AGNÓSTICO APOSTÓLICO JUNINO
Esse vai pra minha amiga Dea, natalense radicada em São Paulo, que não sei onde está nesse momento, mas sei que sente um banzo danado. Aliás, eu também sinto uma saudade arretada dos nossos papos. Dea, faço fé que o lento fim do meu exílio virtual ainda vai me levar de volta ao MSN. :) Pra você um cheiro, e pros meus amigos paulistas (incluindo a geniazinha), só peço que entendam que não é nada além da constatação de que, fora do Nordeste, São João não é tão santo assim.
SÃO JOÃO EM SÃO PAULO
(Luiz Alberto Benevides, 24/6/06)
Em briga de apóstolo
Ninguém mete o versículo
Mas desconfio em silêncio
Que à noite quando paçoca pipoca estalinho
Balão queima o céu quentão sobe à cabeça
Santo de casa sufoca o outro
Neon ofusca fumaça embaça
Por inveja de não fazer milagre.
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Quinta-feira, Junho 22, 2006
PEIXE CRU COM GALETO NA BRASA
BANZAI, BURADJIRU!!!* Muito melhor que ganhar qualquer coisa é ganhar do Zico. Ganhar do ex-ministro do Collor e dublê de comediante que, mancomunado com o Zagalo, tirou da gente a Copa da 98 deixando o gênio Romário de fora sem qualquer desculpa convincente. Enquanto meia dúzia de perebas se amontoavam no banco, Romário teve que assistir ao fim do seu auge pela telinha. Como bem disse o Zagalo, só faltava um. Um que, como já anunciava o número da camisa, valia por 11. Subtração que, na final das contas, acabou dando galo - a mascote dos gauleses - na cabeça.
Sayonara, galinho invejoso que nunca ganhou uma Copa, quanto mais sozinho. Guarde bem debaixo da sua asa de urubu seu campeonato do mundo de 26 anos atrás, servido de bandeja por Adílio, Andrade, Cláudio Adão, Raul Plassmann e todo aquele escrete, incluindo você, antes de pendurar as chuteiras e subir no salto. E boa sorte quando for cantar de galo na seleção de Burkina Faso, Mongólia, Cingapura... vuhahahaha. BRASIL-SIL-SIL-SIL-SIL-SIL!!!!!!
*Dez mil anos, Brasil!
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Domingo, Junho 18, 2006
LADO Z, LADO 2, FAIXA 2
TURURURU, TUTURURURU, TURURU TURURURURURU, TUTU!
HMM-MM, HMM-MM...
WHEN I GET OLDER, LOSING MY HAIR,
MANY YEARS FROM NOW,
(TURURURURU!)
WILL YOU STILL BE SENDING ME A VALENTINE,
BIRTHDAY GREETINGS, BOTTLE OF WINE?
IF I'D BEEN OUT TILL QUARTER TO THREE
WOULD YOU LOCK THE DOOR?
WILL YOU STILL NEED ME,
WILL YOU STILL FEED ME,
WHEN I'M SIXTY-FOUR?
(TAM-TAM!)
(HMMMM, HMM-MM-MM, MM-MM...)
YOU'LL BE OLDER TOOOOO,
(Ê-Ê-Ê-Ê, FÉUM-FÉUM!)
AND IF YOU SAY THE WORD...
I... COULD... STAY... WITH... YOU!
(TURURURURU! PAM! POM POM! PAM! PÃRÃRÃRAM!)
I COULD BE HANDY MENDING A FUSE
WHEN YOUR LIGHTS HAVE GONE,
YOU CAN KNIT A SWEATER BY THE FIRESIDE
SUNDAY MORNINGS, GO FOR A RIDE!
DOING THE GARDEN, DIGGING THE WEEDS
WHO COULD ASK FOR MORE?
WILL YOU STILL NEED ME,
WILL YOU STILL FEED ME,
WHEN I'M SIXTY-FOUR?
(TAM-TAM!)
EVERY SUMMER WE CAN RENT A COTTAGE ON THE
ISLE OF WIGHT, IF IT'S NOT TOO DEAR
WE SHALL SCRIMP AND SAVE (WE SHALL SCRIMP AND SAAAAVE, EH-EH-EH-EH! FÉUM, FÉUM!)
GRANDCHILDREN ON YOUR KNEE,
VERA, CHUCK, AND... DAVE!
(TURURURURU! PAM! POM POM! PAM! PÃRÃRÃRAM!)
SEND ME A POSTCARD, DROP ME A LINE,
STATING POINT OF VIEW,
INDICATE PRECISELY WHAT YOU MEAN TO SAY,
YOURS SINCERELY WASTING AWAY!
GIVE ME YOUR ANSWER, FILL IN A FORM,
MINE FOREVER MORE!
OH, WILL YOU STILL NEED ME,
WILL YOU STILL FEED ME,
WHEN I'M SIXTY-FOUR?
(TAM TAM!
TURURURU, TUTURURURU, TURURU TURURURURURU, TUTU!)
John didn't do it, George didn't do it, Ringo didn't write it, but now Paul's 64.
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Parabéns também pra Sil, minha contemporânea, primeira idealizadora e portanto fundadora-mor do blog Saudade dos 80, a qual hoje equivale a exatamente meio Paul. E meu amigão Rodrigo Teixeira, o único aniversariante meu conhecido que vou ver na data mágica - e que tenho que encontrar de preferência em dezoito minutos, por isso melhor sair correndo. :D
Ah, e isso tudo em pleno dia 18 (6+6+6) do mês 6 de 2006. É de botar inveja em qualquer Bruce Dickinson. Não sei o que outros pensam do número da besta, mas pra minha vida ele só trouxe gente boa. No mais, que todos passemos dos 64 muito bem, já que é a última potência de 2 que pode figurar no bolo de aniversário de qualquer um de nós.
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Sábado, Junho 17, 2006
TODOS POR SETE E SETE POR UM
TV Pirata, noite da terça 12/12/89. O cenário é a sala de um grande executivo da Globo. Na mesa dele, a identificação com o símbolo da Globo e o nome "O PODEROSO CHEFÃO". A trilha é o emblemático tema de "O Império Contra-ataca". Vestido de Darth Vader, um ator que até hoje eu não sei quem é, magistralmente dublado por ele, se vira pro Guilherme Karam e pros outros dois atores que acabam de entrar e fala muuuito leeentameeente, com um hilário e tosco efeito de eco:
- DIEGO VARELA...! LUANA CARDOSO...! O QUE É QUE VOCÊS MANDAM...?
Diogo Vilela: Ah, qué isso, chefe, quem manda aqui é o senhor!
- RÁ... RÁ... RÁ...! VOCÊS SÃO MUUITO... ENGRAÇADOS...!
Desempregados devido ao fim do TV Pirata (que na vida real só ocorreria sete meses mais tarde), os três, cheios de dedos, pisando em ovos, c**ando de medo do chefe, num texto que eu infelizmente nunca decorei por completo, apresentam pro chefe uma fita VHS com o piloto de um programa que, juram, vai fazer muito sucesso.
Guilherme Karam: A gente tá com esse programa novo aí, é super-popular...
PODEROSO CHEFÃO [pegando a fita e olhando]: CLARO, CLARO... EU VOU VER COM MUITO CUIDADO... [a câmera enfoca o braço dele lentamente deixando a fita atrás da mesa, em cima de uma pilha enorme de VHS dentro da lata de lixo]... DIA DESSES!
Diogo Vilela: Ah, chefe, por favor, dá uma olhada...
O "Darth Vader" pega a fita de volta, se vira pra trás, em direção à parede coalhada de monitores de TV, e enfia a fita num videocassete. Começa a passar o piloto do "Balança Mas Não Sobe", programa popular idêntico à "Praça É Nossa", com uma diferença: você ri. E ri pra cacete. O elenco tem Pedro Paulo Rangel, Guilherme Karam, Débora Bloch e Luiz Fernando Guimarães. E é uma alegoria da morte anunciada do melhor programa da história da televisão, que, tirando duas reprises esparsas em junho de 90 (quando ainda existia o programa em si) e um ou outro pedaço de quadro no Vídeo Show, só voltaria a ser reprisado em janeiro de 2005, pra, em abril do mesmo ano, finalmente merecer uma edição parcial, mas muito bem selecionada, em devedê.
Graças ao TV Pirata, que eu gravava religiosamente na minha adolescência, eu passei anos comandando meu videocassete quase toda terça à noite, de 92 até 97, e de 98 até a copa de 2002, toda terça à noite, pra ter os registros do seu herdeiro mais bem sucedido comercialmente, o já padrão Casseta & Planeta Urgente. Chegou uma hora que eu parei pra pensar. E aí dei o stop definitivo.
Acho que foi em meados de 2003 que eu vi uma palestra do Cláudio Manoel em Santa Teresa onde a platéia, um bando de jovens empreendedores entre 20 e 30 anos (e um então funcionário do Banco do Brasil camuflado ali só pra poder perguntar sobre o TV Pirata) fez uma série de perguntas sobre como eles organizavam a Toviassu Produções Artísticas, como eles funcionavam como empresa, e, claro, sobre o TV Pirata. O que me surpreendeu foi como o Cláudio contou direitinho a cronologia do grupo desde quando eles eram dois (Casseta Popular e Planeta Diário), passando pela entrada na Globo, o pós-TV Pirata (Dóris para Maiores) e finalmente o C&P Urgente. E contou também que, apesar de não sofrerem censura aberta da Globo, eles não tinham a mesma liberdade pra escrever porque, dito em outras palavras, a liberdade deles termina no momento em que a audiência cai. "E a gente vem ganhando bem", ele desabafou, "mas outro dia o Sílvio Santos mandou o Stallone..." (gargalhadas na platéia) "...Stallone é f***... a gente vem conseguindo ganhar de todos os filmes do Sílvio Santos... mas Stallone... (mais gargalhadas gerais) "... Stallone é f***!"
Ele também mencionou que as Organizações Tabajara e o Seu Creysson foram criados por causa de um amadurecimento natural dos departamentos jurídicos das empresas, que já não deixavam mais barato as menções diretas. E eu só lembrando de "Encerados... Ferreira Guimarães!"; "Pelo menos alguma coisa a gente tem em comum... a sua mulher, rá rá rá rá rá rá!!!"; e o magistral "TAP - Terroristas Aéreos Palestinos - Voe pelos ares com a gente!" (exemplos meus). Quinze anos depois, continuavam afiados como sempre, mas o fio da navalha criativa já não era mais próprio para o horário nobre da Globo.
Ele só não pôde dizer isso com todas as letras, mas os sete cavaleiros do Pós-Casseta lutaram e venceram de 1992 a 1997 pra manter o programa mensal e, em 1998, graças à tia Marluce, herdeira do Boni, tiveram que se render ao ritmo semanal, transformando a butique de piadas numa fábrica de salsichas. E como diriam eles, tanto em relação à butique quanto às salsichas, "com duplo sentido, por favor". O irônico, poucos sabem, é que o TV Pirata só existiu do jeito que a minha geração conhece porque, quando o Boni botou na mesa o que sempre gostava de botar, exigindo do Planeta Diário um programa semanal pra substituir o Viva o Gordo (pros mais jovens entenderem, o Jô tava saindo da Globo pra TVS e o Roberto Marinho precisava de algo no lugar), eles disseram: "Peraí. Nós somos só três! Pra botar no ar toda semana, a gente precisa de pelo menos uns dez redatores." E o Boni disse "Tudo bem." E foi desse "Tudo bem" que chegaram os caras da Casseta Popular (repito, eram dois grupos separados), o Luis Fernando Veríssimo, a dupla Pedro Cardoso & Felipe Pinheiro, o casal Mauro Rasi & Vicente Pereira, a Patrícia Travassos, e depois Angeli, Glauco, Laerte e tantos outros. Eram uns quinze por semana, e que quinze.
Já da Era Marluce pra cá, eles ficaram com uma semana pra ser dividida por sete. Um por dia da semana pra ralar a cabeça, entregar trolhas de texto e fazer um complicado revezamento 7 X 7 de duplos sentidos palatáveis o suficiente pra manter o sorriso do Sílvio Santos e a barriga do Leão ou do bicho que for em seus devidos lugares (segundo, terceiro etc.). Com o auxílio luxuoso de cinco ou seis outros bons redatores, mas convenhamos, numa mídia que, dos anos 80 pra cá, sofreu a mesma e(in)volução no meio-de-campo que qualquer jogo de futebol, com muito mais Ratinho por trás, entradas perigosas de Gugu Liberato e outros ataques de duplo sentido.
Mas isso tudo era pra falar do stop definitivo do Bussunda. Que por sinal era o tal dublador do Darth Vader. E eu não consegui falar só dele. O que só prova que, como eles mesmos não se cansavam de repetir, não dá pra pensar em um sem pensar nos sete. E eu que pensava que, desde o João Saldanha se perdeu na Copa de 90, não ia ter nenhuma copa mais sem-graça que aquela.
Zanzou por aqui Luiz com Z às 12:25 PM Clique aqui pra zumbir ou zurzir.
Segunda-feira, Junho 12, 2006
SANTANTONHO
Eu tinha vergonha de escrever esse tipo de lirismo didático. Mas depois que Arnaldo Jaburu montou ainda mais na grana subindo no pezinho musical da Rita Lee com aquele negócio de "Sexo é isso, amor é aquilo", perdi o pudor. Tem gente que pensa o contrário, mas eu cada vez mais fico convicto de que não há nada que faça tão bem pro ego de um escritor quanto ver o sucesso financeiro de alguém que escreve pior que você. Quer dizer basicamente que, com um empurrãozinho editorial, qualquer um que saiba fazer uma embaixadinha de palavras pode fazer sucesso.
Portanto, meus amigos, em tempo de copa, namorados e promessas a Santantonho, aí vai minha embaixadinha literária. Com meus agradecimentos à minha amiga Dani Moreira, escritora carioca de ótimo gosto e casada com um dos maiores comediantes ainda-não-revelados desse país, Gilberto Behar. Em 22/5/06, ela escreveu:
Pronta para despir-se de tudo
Depois dos tecidos exógenos um strip-tease em desfile dos seus orgãos
Como ave maria cândida nua oca rouca para os fonemas de seu nome
Pertencer-te
E foi daí que eu fiz
NAMORO
(Luiz Alberto Benevides, 12/6/06)
O amor é endógeno
O tesão é exógeno
E os dois são erógenos.
Se a desculpa é angina,
Se resguarda a vagina
De um cansaço sofrido.
Se ele faz boa imagem,
Certo vem sacanagem
No bom ou mau sentido.
Esse mundo é um nojo
Mas esconde no bojo
Bem além do colágeno
O namoro, uma página
Que pode virar livro
Basta mesmo estar vivo.
LIVE AND LET LOVE
(Luiz Alberto Benevides, June 12, 2006)
Give me live-and-let-love
Bright clouds shine all above
When it all thunders down
Life rains in and around.
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Terça-feira, Junho 06, 2006
LADO Z, ÂNGULO BENDITO
Pena que eu não tenha tempo pra catar no Google agora, mas lembro que o Padre Ricardo, amigo da família, um dia contou a história do 666. Ele acabou sendo considerado um número maldito porque, pros primeiros cristãos, a perfeição seria o sete, número recorrente na bíblia (os sete dias da criação, as sete chagas de Cristo etc.). E o três - essa é a minha parte preferida - sempre foi o número-síntese da repetição. Seja ela uma repetição pura e simples ("Não, não e não", "Eu quero, eu quero e eu quero", "Isso, isso, isso" etc.) ou a reafirmação do mesmo conceito de formas diferentes ("Pai, filho e espírito santo", "Bom, bonito e barato", "Praia, carnaval e mulata", "Collor, FHC e Lula" etc.). O 666 nada mais é do que insistir em (tentar três vezes) chegar perto da perfeição (o sete) e não conseguir.
Ironicamente, não por causa disso, mas não sei se já notaram, os matemáticos resolvem o problema da maneira mais hipócrita, que é arredondando o seis pra sete. Assim, se você dividir 50 por 3, vai encontrar 16,666666666666666666666666666667. Donde se vê que nem a matemática a gente pode respeitar integralmente. Por isso, eu prefiro a maneira como outro tipo de profissional (cujo material de trabalho, por acaso, é todo baseado na matemática) trata o 666:
http://acheicifras.uol.com.br/cifras_tradu.php?idcifra=989
And hallowed be the name of metal.
A PERFEIÇÃO DA BESTA
(Luiz com Z, 06/06/06)
Um sexteto perfeito
É aquele que nasce
Assim, de qualquer jeito
E aí fica no impasse;
Ou vai rimar direito
Ou vai ter desenlace.
Zanzou por aqui Luiz com Z às 8:53 PM Clique aqui pra zumbir ou zurzir.
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