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{Segunda-feira, Outubro 27, 2008}


O mais chato dessa derrota do Gabeira não foi a derrota em si. Foi o fato da população carioca ter perdido uma chance histórica de passar quatro anos provando na carne como o sujeito é um dos políticos brasileiros mais autocentrados, vira-casacas e desconectados da realidade.

Imaginem se o Lula tivesse sido assassinado entre outubro de 2002 e janeiro de 2003. Seria mais um mito nacional, ninguém saberia que ele seria capaz de fazer vista grossa pro mensalão. Por outro lado, e se o Tancredo tivesse tomado posse e governado o país por pelo menos um ano? O Wagner Tiso não teria visto sua "Coração de Estudante" transformada em réquiem, repetida em vão e usada pra causar a histeria coletiva conhecida por quem viveu 1985.

Ótimo. Agora Gabeira vai virar mito da classe média carioca, "seria o melhor prefeito que a gente já teria tido". E olha que estamos falando de um sujeito que em 68/69 ficava fazendo social na pesquisa do JB em vez de cuidar da casa; que em "O Que É Isso, Companheiro?" desmereceu o idealismo dos companheiros que realmente pegaram em armas na luta armada; que em 86 transformou a campanha de governador do PT numa daquelas campanhas chatíssimas de ecologista de anos 80 da zona sul carioca, tirando o tesão da maior parte da militância petista numa época em que o partido tinha coerência política e honestidade; que em 94 era só sorrisos enquanto Solange Amaral se filiava ao PV e ganhava os votos da legenda do PT pra deslanchar sua carreira e depois consolidá-la no PFL; que não faz cara feia pro rótulo de esquerdista mas votou pela quebra do monopólio do petróleo em julho de 1995; que em 1996, ao receber uma proposta de republicação do então encalhado "O Que É Isso, Companheiro?" pela Editora Objetiva (que estava pra virar filme e voltar a vender muito bem), aceitou verbalmente mas cancelou o acordo verbal depois que correu atrás da Cia. das Letras e viu que eles ofereciam mais. Enfim, que há quatro décadas é um vira-casaca e com muita competência distorce essa imagem pra ser considerado um "independente", um "libertário".

Gabeira, a frustração eleitoral de uma nova geração. Por favor, elejam esse cara pra governador em 2010. Porque se atuante já é ruim de agüentar, como mito é absolutamente insuportável.

"A vida vai melhoraaaar..."

Zanzou por aqui Luiz com Z às 8:46 AM
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{Terça-feira, Outubro 14, 2008}



Vixe Maria. Agora é que a Guerra Fria volta pro microondas.

Se for pelo menos pros ianques esquecerem nossa água potável e centrarem fogo na Rússia...


Nova técnica russa de reciclagem de plástico gera gasolina pura
14/10/2008 - 01h10

Cientistas russos da Universidade Medelevev em Moscou desenvolveram uma técnica de reciclagem que permite a produção de 1 litro de gasolina a partir de 1 quilo de sachês de plástico reciclado. O plástico e a gasolina são derivados do petróleo.

Existem vários esforços ao redor do mundo, inclusive alguns já em operação comercial, tentando reciclar subprodutos do petróleo, mas este é o primeiro que gera gasolina pura.

A tecnologia, desenvolvida pela equipe do Dr. Valery Shvets, é baseada no tratamento termal catalisado de materiais poliméricos. Os rejeitos plásticos devem ser simplesmente moídos e derretidos, sem necessidade de lavagem. A seguir é adicionado o catalisador em pó e a mistura é exposta à destruição termal, o que acontece em uma espécie de "panela de pressão" com temperatura e pressão definidas.

Para cada litro de gasolina produzido o processo gera também uma pequena quantidade ("uma colher de mesa", segundo os pesquisadores) de uma substância viscosa densa, parecida com o piche. Como também é inflamável, esse rejeito também pode ser reaproveitado.

Os pesquisadores não divulgaram detalhes sobre o composição do catalisador, já que é nele que está o segredo da descoberta, que está sendo patenteada. Um protótipo do sistema já está em funcionamento contínuo no laboratório da Universidade.

* Com informações do jornal Pravda de Moscou.

Zanzou por aqui Luiz com Z às 4:43 PM
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{Quinta-feira, Outubro 09, 2008}



Assim eu fico até sem graça de me chamar de escritor.

Segue um dos textos mais lindos e emocionantes que eu já li em toda a minha vida. Pra começar indignado e terminar com um fechamento transbordante de esperança, o cabra tem que saber escrever muito.



As cassandras neoliberais
http://diariodovale.uol.com.br/arquivo/5292/colunas/coluna-3694.htm
Emir Sader

A esquerda costuma ser acusada de catastrofista. Mas agora é a direita que, sem propostas, aposta no quanto pior melhor, para ver se consegue voltar ao governo, desesperada diante dos 80% de popularidade do governo Lula.

Primeiro apostavam na inflação, que ia tornar-se descontrolada e levaria o país à recessão pelas medidas que, no receituário deles, costumam ser tomadas. Seguiam o editorial do The Economist que esperava que o governo de Fernando Lugo fosse o último governo progressista na América Latina porque, dizem eles, chegam tempos de recessão e nisso a direita é craque. Propõem explorar temas dolorosos e que lhe são caros, como enfermeiros da recessão e dos sofrimentos para o povo: inflação e violência. Centram-se na exploração desses temas.

Se esquece a revista não apenas que o continente é outro hoje, mas que em El Salvador Mauricio Funes, candidato da FMLN é amplamente favorito para ampliar a lista de presidentes progressistas na América Latina. E que a capacidade de resistência desses governos diante da crise é maior do que durante aqueles dos seus fracassados queridinhos – FHC, Menem, Carlos Andres Peres, Sanchez de Losada, entre tantos outros.

FHC, apostolo do caos, aposta na crise, na recessão. Ele, que conhece bem isso. Afinal, nos seus oito anos de governo – recordar que ele comprou votos para mudar a Constituição durante seu mandato, para ter um segundo mandato -, quebrou o Brasil três vezes, teve que ir ao FMI três vezes para assinar novas Cartas-compromisso. Escondeu a crise durante a campanha eleitoral de 1998, fez tudo – ajudado amplamente pela mesma imprensa privada que agora aposta no caos – para ganhar no primeiro turno, porque o país estava de novo quebrado e Pedro Malan negociava novo acordo de capitulação com o FMI.

Não deu outra, veio a crise, os juros foram elevados para 49% (sic) e a economia entrou na prolongada recessão que acompanhou todo o governo FHC e fez com que os tucanos fossem amplamente derrotados em 2002 e FHC seja o político com pior desempenho na opinião do povo brasileiro. E foi uma crise provocada e sofrida aqui, não como conseqüência de uma crise internacional.

Agora a direita aposta na crise, que é a crise da sua doutrina, das suas pregações sobre as virtudes do mercado. Fariseus, tentam esconder que são discursos como os seus que levaram à farra especulativa dos EUA – meca do neoliberalismo – e cujos efeitos o governo tem que enfrentar. Governassem os tucanos, imaginem o que seria a economia do Brasil se Alckmin tivesse ganho - como queria a imprensa privada -, com o grau de fragilidade que teríamos, com a continuidade da abertura econômica que os tucanos pregam.

Lula precisaria fracassar, porque se o douto, o sábio, o ilustrado, o queridinho dos grandes empresários e da imprensa privada, FHC, fracassou – na política econômica, na política social, na política educacional, na política cultural, na política externa -, fracassou, como um torneiro mecânico, nordestino, que perdeu um dedo nas máquinas, do PT, pode triunfar.

É o fracasso das teorias que pregam que as elites sabem mais, podem mais, fazem melhor as coisas. A mesma teoria que fracassa na Bolívia, onde o índio Evo Morales dá certo, onde o gringo Sanchez de Losada fracassou. Na Venezuela, onde o mulato Hugo Chavez dá certo, quando a elite branca de Carlos Andres Peres, de Rafael Caldera, fracassaram.

As economias dos países que participam dos processos de integração regional, porque privilegiam os intercâmbios entre seus países, porque diversificaram seus mercados internacionais – com o da China ocupando lugar de destaque -, porque desenvolvem os mercados internos de consumo popular, dependendo menos das exportações, porque vão dispondo cada vez mais de recursos próprios de financiamento – que o Banco do Sul vai incrementar -, sofrem menos as conseqüências da maior crise do capitalismo desde 1929. Recordar que como efeito desta, caíram 16 governos latino-americanos. Agora, nenhum deve cair e sofrem mais os que mais se atrelaram à economia estadunidense e mais seguiram aferrados ao neoliberalismo – de que o México é o caso mais grave.

FHC, e todas suas viúvas na imprensa privada, podem chorar, podem pedir pelo pior, podem esperar sentados o fracasso dos novos governos latino-americanos. Seu tempo já passou, o funeral de Wall Street é o seu funeral, o da apologia dos mercados, do Estado mínimo, do reino da especulação. Que descansem em paz, que o povo brasileiro tem mais o que fazer, tem que se ocupar do seu destino, essas cassandras neoliberais que ele derrotou e segue derrotando.

Zanzou por aqui Luiz com Z às 12:31 PM
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